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Elipses
De que misterioso sol Celebro o ciclo De que camada da espiral Espiono o que fui E o que serei De qual pele me revisto Nessa presente existência De qual animal tenho os olhos Os pelos, asas ou garras Ou serei as rugosas folhas Os séculos que arredondam Os transparentes seixos Na água que flui sem pressa Sem começo, nem fim Os abstratos ponteiros A paciente clepsidra Ou o resignado relógio de sol Em qual intervalo Em que intermitência Ouso existir? E que outros degraus de vida

Marco Villarta
4 de jul.1 min de leitura


Espelhonauta
Há os que na Terra procuram por rios finos cursos d´água ou caudalosas correntes sementes de mares de tempestuosos oceanos Eu, mais por sina que por escolha coleciono espelhos alguns nas paredes da casa outros no recôndito das muitas almas do que sou, do que fui quem sabe do que serei contrario o senso comum espelhos não têm superfícies nem binárias efígies são poços de luz abismos de escuridão porque o que os ilumina são os olhos os meu próprios os de quem me fita as memória

Marco Villarta
4 de jul.1 min de leitura


Epifania
Em muitos ontens me vêm perguntando por que a poesia me arrebata Nem bem era esse o termo que ouço Mas o que posso dizer? Me arrebata me consome me encanta E sequer a defino poesia talvez tal qual o tempo Como dizia Agostinho de Hipona sei o que é mas se me perguntam... sinto a poesia em meus poros em meus secretos porões em fissuras da alma em desníveis de tempo em descontínuos espaços é seiva que haure no peito quando a dor de viver extrapola o inútil resistir poesia é o qu

Marco Villarta
4 de jul.1 min de leitura


Justificativa
Talvez me culpem pela tristeza Por tanto embate existencial Mas viver é perigoso Complexo ofício De delicada dissecação Não sei se a alma tem fibras Músculos, nervos ou tendões Perdoem-me Sou sinestésico E feito personagens de Poe De sensibilidade extremada Embriagado de intensidades Corroído pelos agoras Ágoras de minha interna multidão Pathos de inquieta aflição E o pior Sou o que vejo E o que é visto E já não sei Na superfície do espelho Quem olha para quem Marco Villart

Marco Villarta
4 de jul.1 min de leitura


Sorôco somos nós
Para Lô Borges e para os anônimos desvozeados de seus trens Trem por sobre os trilhos De outros trens São vagões escuros Vão de muro em muro Transita de exclusão em exclusão O trem que passa Despoja dos trens da vida Humanos empobrecidos De sua própria condição Tornam-se translúcidos Invisíveis vestígios Algo menos que pó Porque nunca retornarão Não têm origem, nem destino São ratos que morrem no caminho Expulsos de cada casa Da minha, da sua, de todos (os) nós São corpos v

Marco Villarta
4 de jul.1 min de leitura


Testamento
Tais quais os labirintos sem muros, nem paredes dos arenosos desertos O cansaço de errante viajor pelas desoladas desplanuras do mundo Faz mais que as dores do retesado corpo ou de indefinido sopro de vida A parte de muito antiga alma, vacante em inconsciente peregrinação Faz parear com as porosas pedras, com as estagnadas, limosas águas De pútridos pântanos, de insalubres, pestilentos, mas invisíveis miasmas O ar que respiro já quase não anima o impreciso barro de que fui f

Marco Villarta
4 de jul.2 min de leitura


Folhas
As finas folhas da janela harmonizavam-se com as secas folhas lá de fora, no território estrangeiro do quintal. A casa antiga tinha vários pequenos quintais e alguns deles davam para lugar nenhum. Em criança eu sempre imaginava transpor a parede que separava cada um daqueles lugares de brincadeiras e de sonhos. Fechava os olhos e investia a mim mesmo de poderes de super-herói. Ficava invisível, me tornava capaz de atravessar paredes ou de ter visão de raios X. Na prática, eu

Marco Villarta
30 de ago. de 20254 min de leitura


Bôlh
A cada dor, desço aos mais impossíveis porões Masmorras existenciais A cada insucesso Trafego pelo espesso subsolo E as secreções das chagas Não atraem físicas moscas Mas latejam, ressoam Porejam para uma indivisa dimensão Onde pressinto que mitológicos cães As lambem como se fossem suas próprias Desconheço se há consolo No escondido pranto que atravessa Eras e partes de mim dispersas Tempo e espaço talvez sejam Calidoscópias fronteiras E o rodopio de nossas almas Sejam – pa

Marco Villarta
26 de ago. de 20251 min de leitura


Fratura
Quando o corpo cansa E a dor alcança Os cantinhos mais sutis Da alma já antiga... Quando o sopro quase cessa E, fraco, desconecta cada...

Marco Villarta
25 de ago. de 20251 min de leitura


Estalagmite
Há na quietude Algo de mergulho Borbulho de quem se afoga E vê nas bolhas do escasso ar que se esvai A vida cessando de fazer ruído As...

Marco Villarta
25 de ago. de 20251 min de leitura


Metaphisica II
Há palavras sob as palavras sob as pedras úmidas, feito os tatuzinhos de jardim Há silêncios além e aquém de nossa parca e pobre audição...

Marco Villarta
25 de ago. de 20251 min de leitura


Redoer
As dores remoem remam, navegam no contato com os mares líguidos salares elas redoem As dores ficam complicam o simples o tênue e sutil...

Marco Villarta
28 de jun. de 20251 min de leitura


Ampulheta III
Para meu pai É como se os fortes vencessem a morte e posassem nas selfies com a alegria inerte de insossa imortalidade É como se o...

Marco Villarta
28 de mai. de 20251 min de leitura


Make up
Scar Scare Nightmare Death flare Beneath anywhere Just living Pretending to dare. Marco Villarta Lavras, 16 de dezembro de 2023.

Marco Villarta
22 de mai. de 20251 min de leitura


Symbiosis
Touch is a memory enough flesh subtile ash between fingertips close to lips but very far away always desire cold fire fear to acquire...

Marco Villarta
22 de mai. de 20251 min de leitura


Molitva II
Desperto cansado de todas as dores De todos os sonhos E sinto no espelho do tempo A fatigada antiguidade da alma exaurida por tantas...

Marco Villarta
22 de mai. de 20251 min de leitura


Ikelos
onho novamente A morte se achega Me encontra deitado dolorido, mas em paz me dá um beijo lento e não há hálito ruim tem o perfume dos que...

Marco Villarta
22 de mai. de 20251 min de leitura


Réquiem para o tempo perdido
Para Marcel Villarta, Neusa Cardoso e tantos mais Medito sobre todos os fracassos pequenos ou grandes Sinto a memória de variadas dores...

Marco Villarta
22 de mai. de 20251 min de leitura


Vislumbres
O alegre gecko leopardo toma sol numa pedra quadrada O velho arquejado se banha é de outro povo que não sei divisar O jovem, no sonho,...

Marco Villarta
22 de mai. de 20251 min de leitura


Apólogo
Quando fui um lagarto amarelo onde estava você? Talvez fosse a pedra que amparava para tomar o benfazejo sol Quando andei pelas celtas,...

Marco Villarta
22 de mai. de 20251 min de leitura
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