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Elipses

De que misterioso sol

Celebro o ciclo

De que camada da espiral

Espiono o que fui

E o que serei

De qual pele me revisto

Nessa presente existência

De qual animal tenho os olhos

Os pelos, asas ou garras

Ou serei as rugosas folhas

Os séculos que arredondam

Os transparentes seixos

Na água que flui sem pressa

Sem começo, nem fim

Os abstratos ponteiros

A paciente clepsidra

Ou o resignado relógio de sol

Em qual intervalo

Em que intermitência

Ouso existir?

E que outros degraus de vida

Sou fadado a desconhecer

Nunca saberei de tempos outros

De impossíveis espaços

De físicas leis onde não posso estar

Por que me iludo com as comemórias

Se já não sou quem percorreu

Se já não coloco o mesmo sentido

Por que repito os mesmos números

Se as quantidades já não estão mais lá

Se as proporções se alongam ou se encurtam

Se os aparentes vazios predominam

O que, afinal, estou celebrando

Mas, talvez...

Seja ciranda, corrupio

Fio de vida que não é singular

E os tantos eus, meus e de outros

Sejam a corrente que se enlaça

E abraça o infinito

Bonito coro de sóis

Mitos e sonhos

Divina renovação.

 

Marco Villarta

Oliveira/MG, 30 de dezembro de 2025.

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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