Elipses
- Marco Villarta

- há 2 dias
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De que misterioso sol
Celebro o ciclo
De que camada da espiral
Espiono o que fui
E o que serei
De qual pele me revisto
Nessa presente existência
De qual animal tenho os olhos
Os pelos, asas ou garras
Ou serei as rugosas folhas
Os séculos que arredondam
Os transparentes seixos
Na água que flui sem pressa
Sem começo, nem fim
Os abstratos ponteiros
A paciente clepsidra
Ou o resignado relógio de sol
Em qual intervalo
Em que intermitência
Ouso existir?
E que outros degraus de vida
Sou fadado a desconhecer
Nunca saberei de tempos outros
De impossíveis espaços
De físicas leis onde não posso estar
Por que me iludo com as comemórias
Se já não sou quem percorreu
Se já não coloco o mesmo sentido
Por que repito os mesmos números
Se as quantidades já não estão mais lá
Se as proporções se alongam ou se encurtam
Se os aparentes vazios predominam
O que, afinal, estou celebrando
Mas, talvez...
Seja ciranda, corrupio
Fio de vida que não é singular
E os tantos eus, meus e de outros
Sejam a corrente que se enlaça
E abraça o infinito
Bonito coro de sóis
Mitos e sonhos
Divina renovação.
Marco Villarta
Oliveira/MG, 30 de dezembro de 2025.



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