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Uranos

6 de jul.
1 min de leitura

Atualizado: 5 de ago.

Numa língua estranha vislumbrou

o passado enterrado em tantos véus

no jeito como viu andarem

os desconhecidos peregrinos

reconheceu as batidas no próprio peito

e por efeito dos fragmentos de memória

viu-se como tantas faces

sentiu a dor de suas tantas mortes

e só foi por sorte que resistiu a tanto desalento

em sobrepostos tempos

Ouviu baterem palmas e pisarem o chão

no ritmo com que a dança do começo e do fim

faz círculos com todos os convivas

dessa estranha estação

a nave atemporal

chega e parte sem sair do lugar

e as pessoas nem descem nem sobem

mas se transformam sem se destruirem

evanescem sem desparecerem

Respirou fundo

Adormeceu

Sonhou-se sonhado

e nunca soube se por fim despertou.

 

Marco Villarta

Lavras/MG, 07 de fevereiro de 2024.

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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