Uranos
- Marco Villarta

- há 19 horas
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Numa língua estranha vislumbrou
o passado enterrado em tantos véus
no jeito como viu andarem
os desconhecidos peregrinos
reconheceu as batidas no próprio peito
e por efeito dos fragmentos de memória
viu-se como tantas faces
sentiu a dor de suas tantas mortes
e só foi por sorte que resistiu a tanto desalento
em sobrepostos tempos
Ouviu baterem palmas e pisarem o chão
no ritmo com que a dança do começo e do fim
faz círculos com todos os convivas
dessa estranha estação
a nave atemporal
chega e parte sem sair do lugar
e as pessoas nem descem nem sobem
mas se transformam sem se destruirem
evanescem sem desparecerem
Respirou fundo
Adormeceu
Sonhou-se sonhado
e nunca soube se por fim despertou.
Marco Villarta
Lavras, 07 de fevereiro de 2024.



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