Condicional
- Marco Villarta

- há 20 horas
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Se o sono dos lutos
É oblívio dos vivos
Sobreviventes do caos
Se o silêncio dos peitos
E o trêmulo das pernas
Traz o peso dos obscuros
Labirínticos porões
As lágrimas que ainda vertem
Se revestem de tantas túnicas
Única estrada de pedregosa dor
Se a coragem quase arrefeceu
Se os pedaços arrancados de mim
Foram plena antítese do céu
Foram abraços que chegaram ao fim
Se por tudo isso lutei pesados lutos
E enfrentei a verborragia dos brutos
Mas os duros golpes no peito
São bem mais que matar
Somos sobreviventes
De armageddons, ragnaroks
Somos os errantes escribas
Na poeira de abandonadas estradas
Somos retalhos e andrajos
Somos incertos peregrinos
Por debaixo de negro sol
E, enfim, depois da esperança partir
Dos sonhos serem só básico respirar
Vemos que há que se ter luz
Mesmo sem ter olhos para ver
Há que voltar a coragem
Para repor os pés no caminho
Mesmo quando sangram
Pelo pontiagudo das pedras
Pelo entrar torto nos buracos
Há que se recriar a esperança
Porque não conquistamos uma glória
E ainda não construímos nada
Somos retalhos, recortes
E se somos fortes, é porque aprendemos
Tomamos por exemplo o próprio fim
Mas os retalhos se unem
Sob hábil mão de artesã, de artesão
E as monótonas notas
Há quem as junte
Em magistral melodia
Quando os densos miasmas
Deixam de cobrir os pântanos
E o escuro da noite cede lugar
A uma claridade que não é lá de fora
É luz que se relembra de alumiar
É fogo que se tinha esfriado
Sem as pessoas à sua volta
Contando histórias
Marco Villarta
Lavras, 31 de outubro de 2022.



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