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KOTENOK*
Para Arthur Cardoso meus olhos atentos enxergam (n)o escuro das noites internas, externas sou místico, é o que dizem supersticiosos pretextos. Nonsense. olho o mundo se mover. Apenas. porque na placidez da displicência aparente sou puro devir... sou egípcio, siamês ou persa mas não me importo: nomes não significam acusam-me bipolar, de indecifrável humor. mas os liames são mesmo miméticos o hermetismo, simplesmente, é mistério de não estar nem aí lugares são falsas certezas s

Marco Villarta
há 1 dia1 min de leitura


Gatoiesis
Para Arthurzinho enquanto reviso poemas o gato passeia pela cama indiferente à poesia? não sei o andar dos felinos o jeito de ser doméstico dos gatos é pura poesia coreografia perfeita divina geometria a poesia não se desconhece ela acontece. Marco Villarta Lavras, 25 de setembro de 2026.

Marco Villarta
25 de set.1 min de leitura


Itinerário IV
andou perto do fim equilibrista de si sem redes de proteção escalou escarpas íngremes colinas as mãos, nada mais velejou pelas tormentas sem cais, sem portos tanto movimento fez compreender pra chegar não basta dobrar velas (a)chega-se ao destino cumprindo, rota, estrada sem direção outras dimensões limites fluidos certezas vãs. Marco Villarta Lavras/MG, 23 de setembro de 2026.

Marco Villarta
23 de set.1 min de leitura


Litúrgica
areia se move sob meus pés não menos areia, arena área ária levito em redemoinho Saci no meio do vendaval alinhavo desagravo quanto eu sonhei saudades tantas mantas em convulsão mantras raios gama Procissão Marco Villarta Lavras/MG, 22 de setembro de 2026

Marco Villarta
22 de set.1 min de leitura


Ontologia
Para meu filho Rafael ser filho ser pai presente dádiva experiência de viver o sublime temer pelos passos torcer pelo sorriso ansiar pelo abraço esperar pelo ficar junto ser filho ser pai serena celebração vida sentido tardia, mas comemorada forma de ser feliz. Marco Villarta Lavras, 27 de agosto de 2026.

Marco Villarta
27 de ago.1 min de leitura


Poema semântico
em língua api luna quer dizer mão em latim, api é "para a abelha" nas Novas Hébridas os falantes de api veem no céu astro arredondado, mutável os romanos chamam de luna Que nome terão os nomes usados por nós para os nomes que esses nomes tiveram antes? Marco Villarta Jacareí/SP, 01 de junho de 1999

Marco Villarta
24 de ago.1 min de leitura


Cantiga
resvalo seu seios sei os seus medos amamento-os la(c)tentes, sensíveis impossíveis verdades sugadas da terra pólen de abelhas espalhado na cama mergulho no poço (posso?) sonho a semente sinto somente enxergo, enxerto a visão minha das coisas nos olhos (dos) outros vacilo vazio acima de mim e do medo me meto no emaranhado que teço permeio seus infinitos segredos ainda bêbado da doçura em excesso enxugo o sexo: estremeço na noite que desce nos corpos adivinho seu sono sou seu a

Marco Villarta
24 de ago.1 min de leitura


Senciência IV
A dor que aperta o peito É efeito do que desperta No jeito de desaprender Como é a doçura da vida Sem a ternura compartida Sem a consentida plenitude E se ilude quem imagina Que fascina alguém ainda Para além do que se viveu Pois o infinito não se divide Não se esgota, nem regride A menos do que o inimaginável Que a inefável experiência Da senciência inexplicável De viver um divino amor. Marco Villarta Lavras/MG, 05 de julho de 2022.

Marco Villarta
21 de ago.1 min de leitura


Cantor
Há menos ou mais Que o infinito? Quantos infinitos Caberão nos sonhos Habitarão os dias Faltarão Na inexata matemática Dos (a)deuses Quantos seres Contarão estrelas Esquartejarão seus mundos Na inútil busca Do último átimo da última face em que nos reconheceremos iguais a nós mesmos autocriadores pobres de nós ínfimos grânulos mancha de fino regolito nos espelhos dentro de espelhos buscamos o canto dos anjos no infinito sideral porém o que está em cima é símile do embaixo nos

Marco Villarta
21 de ago.1 min de leitura


Grise
cinzas no chão cinzas no ar cinzas na alma pó devolve ao pó o que o fogo consumiu o peito não respira sufocado pelos finos grânulos memórias cinzas prelúdio e fim cinzas do tempo cinzas ao vento cinzas de mim. Marco Villarta Lavras, 17 de agosto de 2026.

Marco Villarta
17 de ago.1 min de leitura


Anjo
Anjos são perfeitas criações de muitos tipos uns, mais poderosos outros, de asas quebradas E que anunciam grandes eventos E quase participam junto Da própria criação Há os anjos com causas perdidas Acompanhando tortas estradas Vendo o humano se desencaminhar Há, porém, um tipo muito especial Os que, discretos, nem ousam saber De sua natureza celestial São os que curam as almas feridas Os que permitem à fé poder voltar Velam junto aos leitos sofridos Onde as almas tentam se re

Marco Villarta
6 de ago.1 min de leitura


Varal
Penduram-se os lençóis Penduram-se os sonhos Tristonhos, alegres Penduram-se lágrimas e também os roucos suores Penduram-se poemas Fragmentos da vida A quarar no sol Aquarela, quimera Flor de gelo Que evanesce no verão Penduram-se sapatilhas Da filha bailarina Que, peregrina, Para outros voos se foi Penduram-se esperanças Lembranças de ontens Memórias consentidas Ou nunca divididas Com quem se prende a paixão Penduram-se versos Tortos, no avesso das coisas No reflexo das somb

Marco Villarta
6 de ago.1 min de leitura


Mito(a)gonias
As moiras tecem humanos destinos Lúgubre trindade que regula o fio do existir Penélope destece nas solitárias noites Na inacabada mortalha, na dor da espera Não basta a perfeita tessitura de Aracne Ante a soberba invídia de Atená Não me fio no que os deuses podem urdir Nem nos labirintos com que ousam confundir o engenho humano, que com não pouca angústia fustiga o infinito em Olimpos quaisquer instinto de iludir a frágil e fugaz finitude achando que Ariadne pode, quem sabe,

Marco Villarta
6 de ago.1 min de leitura


Epitáfio de um negro corpo
O corpo negro jazia no chão Não era singular Era coletivo Um metonímico plural Naquele corpo, Em cada corpo Outra metonímia Insígnia da morte Pouca sorte de quem Nada tem De quem subsiste Inexiste Na diária economia do medo No arremedo de vida Nas migalhas compartilhadas Com os cães O corpo de um preto Retinto no rigor mortis Nos negros sacos funerários Na negra escuridão Da obscura indiferença Os ancestrais e seculares grilhões Continuam ali Nos morros Nas vielas Nas subcida

Marco Villarta
6 de ago.1 min de leitura


Cantiga II
Se olho no espelho vejo no rosto velho uma nova ruga apalpo os sinais da morte da pouca ou muita sorte que vivi caminhando trocando com a terra a dor escondida a coragem engolida fugida do medo arremedo de vida choro represado de tanto passado de um tanto de lida sofridas de sonhos, de gritos conflitos de morte, de vida rouco passado do destino calado do não saber desistir. Marco Villarta Lavras/MG, 12 de março de 2025.

Marco Villarta
6 de ago.1 min de leitura


Liquidez
os dedos, rápidos, deslizam pelo teclado o carro flui pelas ruas e é bom esterçar para aqui e para ali a vida escorre por entre os dedos e não sei se é suave o sempre do incerto o concerto a ser interrompido o surdo estampido da última batida do cansado coração será ouvido pelos anjos ou por nós mesmos embora outros em diverso mundo em paralelo universo? Marco Villarta Lavras/MG, 05 de dezembro de 2024.

Marco Villarta
6 de ago.1 min de leitura


Angelical
Para Inês Leve e doce Com o sutil voo De asas celestiais As pequenas mãos Que cuidam da alma ferida O amor paciente Discreto Como convém Aos puros afetos O meigo olhar E o sorriso que não cessa Mesmo nos mais tristes choros A fé que sustenta Os passos firmes Que convidam a sair Dos abismos mais sombrios Na minha estrada, sem esperar Surgiu um anjo Um gesto divino Uma gratidão por não estar só Por poder amar Por saber novamente Ter bússola Ter uma carinhosa direção. Marco

Marco Villarta
6 de ago.1 min de leitura


Doloração
A dor adormece entorpece desce aos profundos e secretos abismos cisma de relembrar o dolorido passado e o distópico futuro A dor endurece turva a visão faz fenecer as frágeis forças retorce as mãos desvãos insônias perenes esperas ânsias atemporais angústias estilhaços fractais. Marco Villarta Oliveira/MG, 01 de dezembro de 2024

Marco Villarta
6 de ago.1 min de leitura


Isolaousia
A poesia se basta Pois não é nem casta Nem impura, devassa Nos ilimitados campos é o que desconhecemos inábeis que somos E os sonhos arrefecem Na vastidão As solitárias inquietações São várias São de tantos e tantas Quanto se pode adivinhar Pois que a dor alheia É como postura do tarô Rede de arcanos Divinatórios segredos Degredos Exílios Na poesia somos crianças Brincando de cercar o impetuoso mar Com nossas frágeis palavras. Marco Villarta Lavras/MG, 16 de setembro de 202

Marco Villarta
6 de ago.1 min de leitura


Sorvência
Nas noites densas Intensas insônias Fragmentadas premonições Vendo medievais cavaleiros Em lento e ritmado tropel serem meus temidos fantasmas sem rosto nem voz aparições Nas espessas névoas O frio que me veste Por sobre o corpo desproteção sei que estou Para aquém ou além do sol E o profundo espaço É puro silêncio pulsante quietude Antes de cataclísmicas explosões É avesso e anverso de infinitas criações Sobrepostos os infinitos véus As temporais camadas dos céus São também

Marco Villarta
6 de ago.1 min de leitura
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