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Glossário

Dexistir é deixar de existir

Desistir do devir

Falecer é falhar

Na falência do que pulsa

Na latência do que brilha

Idade é movimento

Ida sem volta,

Impotente revolta

Diante do que já não é

A morte só faz sentido

Quando no sintagma

Quando recebe o artigo

Pois que é amor desmembrado

E o ser amado que se incorpora

Em aparência de pronome em desuso

E a rima é forte com todas as dores

Com todas as mutilações

Dos órgãos da alma

Da calma que já não mais será

Dos mundos que perderam seu céu

As membranas do fora e do dentro

Craquelaram a ponto de parecerem

Erráticos, irregulares fragmentos

Sem cimento que que os conjugue

Sem os momentos que os conjurem

Saudade é estar atrás da porta

Sem poder abrir

E ser advinhado por quem se foi

Para a outra face do mistério

Sonho é adjetivo de simulação

Ou ao revés?

Ao invés de definir,

Construir cercas

Murar castelos de pedra

Somos sonho de algum

Mas somos fímbrias de espuma

No arrebentar de suaves ondas do mar

Lá onde as crianças brincam de hesitar

Brincam de pisar o indeterminável

Entre o fluir e fruir há o sem-fim do Tártaro

Para antes do tempo, para longe

Para depois do curvo espaço

Sermos mutuamente um traço

 

Marco Villarta

Lavras, 12 de setembro de 2023.

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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