Glossário
- Marco Villarta

- há 2 dias
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Dexistir é deixar de existir
Desistir do devir
Falecer é falhar
Na falência do que pulsa
Na latência do que brilha
Idade é movimento
Ida sem volta,
Impotente revolta
Diante do que já não é
A morte só faz sentido
Quando no sintagma
Quando recebe o artigo
Pois que é amor desmembrado
E o ser amado que se incorpora
Em aparência de pronome em desuso
E a rima é forte com todas as dores
Com todas as mutilações
Dos órgãos da alma
Da calma que já não mais será
Dos mundos que perderam seu céu
As membranas do fora e do dentro
Craquelaram a ponto de parecerem
Erráticos, irregulares fragmentos
Sem cimento que que os conjugue
Sem os momentos que os conjurem
Saudade é estar atrás da porta
Sem poder abrir
E ser advinhado por quem se foi
Para a outra face do mistério
Sonho é adjetivo de simulação
Ou ao revés?
Ao invés de definir,
Construir cercas
Murar castelos de pedra
Somos sonho de algum
Mas somos fímbrias de espuma
No arrebentar de suaves ondas do mar
Lá onde as crianças brincam de hesitar
Brincam de pisar o indeterminável
Entre o fluir e fruir há o sem-fim do Tártaro
Para antes do tempo, para longe
Para depois do curvo espaço
Sermos mutuamente um traço
Marco Villarta
Lavras, 12 de setembro de 2023.



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