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Fortuna

Tenho um secreta deusa

Que sempre me vem visitar

Às vezes ela é um oráculo

Noutras, é puro mistério

Quase sempre assume

A mesma conhecida forma

É comum ser no meio dos sonhos

Mas nas horas de meia-luz

Entre os irretornáveis dias

E as sombrias, escuras noites

Sinto ouvir a doçura de sua voz

No mais sinto um cheiro

Que vem com o impossível vento

Quando o ar está parado

Sei que minha deusa

Não é espectro, nem fantasma

No calidoscópio em que habito

Sei que é as mágicas formas

As coloridas gemas

Que trazem o brilho

De estrelas impossíveis

E dão o desenho do infinito

 

Marco Villarta

Lavras, 22 de maio de 2023.

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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