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Urdume

Haverá no avesso dos versos

Submersos endereços

Onde as almas se encontram?

Será a mesma eternidade

Do menino que pensa

Sempre estar ali

O sonho doce

da padaria da esquina

do velho que sente fluida

a contínua vida

para além de todos os tempos

e de todos os cantos?

Serão as perguntas

As respostas que já temos

Mas nos esquecemos

onde guardamos

E por isso precisamos

Fuçar nos bolsos das roupas

No profundo das gavetas

Que ainda não arrumamos?

Será a existência

Um intermitente pulsar

Por entre mundos

Por entre lembrares

De diferentes lugares

De fugazes lembranças

Haverá em cada universo

Uma parte de nós

E, talvez, ainda mais fundo

No ilimitado infinito

Sejamos cuidadosos retalhos

Grânulos de luz

De insondáveis estrelas

E juntos aos que amamos

Sejamos um

E mais além

Infinitos uns

Sonho dentro do sonho

Sopro dentro do sopro

Interminável mar

Indecifrável fluir.

 

Marco Villarta

Lavras, 13 de maio de 2023.

 

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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