Urdume
- Marco Villarta

- há 17 horas
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Haverá no avesso dos versos
Submersos endereços
Onde as almas se encontram?
Será a mesma eternidade
Do menino que pensa
Sempre estar ali
O sonho doce
da padaria da esquina
do velho que sente fluida
a contínua vida
para além de todos os tempos
e de todos os cantos?
Serão as perguntas
As respostas que já temos
Mas nos esquecemos
onde guardamos
E por isso precisamos
Fuçar nos bolsos das roupas
No profundo das gavetas
Que ainda não arrumamos?
Será a existência
Um intermitente pulsar
Por entre mundos
Por entre lembrares
De diferentes lugares
De fugazes lembranças
Haverá em cada universo
Uma parte de nós
E, talvez, ainda mais fundo
No ilimitado infinito
Sejamos cuidadosos retalhos
Grânulos de luz
De insondáveis estrelas
E juntos aos que amamos
Sejamos um
E mais além
Infinitos uns
Sonho dentro do sonho
Sopro dentro do sopro
Interminável mar
Indecifrável fluir.
Marco Villarta
Lavras, 13 de maio de 2023.



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