top of page

Escala

As desmedidas dores

No geral, são contidas

Por serem tão profundas

Não transbordam

Do sem-fim em que se afundam

Quando são expelidas

São inaudíveis gritos

Para muito além dos físicos ouvidos

Dores não se nomeiam

E nem há realmente

quem as quantifique

Rompidos os diques que as contém

Ninguém as vê,

Ninguém as sabe

Entre nós todos

Entre cada um

Há intangível espelho

Há indevassável abismo

Entre o que sonhamos

E o que perdemos

Há as escuras noites

E as esquecidas sombras

As não acontecidas coisas

Os não vividos gestos.

 

Marco Villarta

Lavras, 21 de maio de 2023.

Posts recentes

Ver tudo

Comentários


Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

Copyright © 2025. Todos os Direitos Reservados

bottom of page