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Aer

Às vezes sinto inveja das plantas

As plantas que se esgueiram

Pelas estruturas metálicas

E, esquálidas, ocupam de vida

Cada pequena fresta

E por mais que eu veja nas plantas

Glúon que costura as arestas

Serenas fadas que vicejam

Nos sítios mais improváveis

Artifício que a natura mater

Nos incontáveis éons

Para voltar-se para o muito além

Ou para um aquém do que somos

Pois que, meros gomos do todo

Efêmeros signos como outros tantos

Talvez aqui onde e quando estamos

E o quanto meditamos

Seja para contemplar sua singela maneira

De concatenar aparentes ruínas

E se germinam, o rio da existência

Moveu-se ainda mais por sobre as pedras

E somos, sem saber,

Os olhos que precisam vê-las

As simplórias mentes

Carentes de compreendê-las

A Grande Arte é de sutil matéria

Artéria em que corremos

Como a seiva que tudo move

Nem alta montanha,

Nem poço profundo

Somos parte e somos todo

E cada outro pequeno ser

É também nessa estampa

Bordado do infinito

Sutil falsete de mil mundos

Esfera de espelhos

Tenras folhas

Leito de gravetos

Quase-sono de estar aqui

 

Marco Villarta

Lavras, 20 de março de 2023.

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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