Aer
- Marco Villarta

- há 21 horas
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Às vezes sinto inveja das plantas
As plantas que se esgueiram
Pelas estruturas metálicas
E, esquálidas, ocupam de vida
Cada pequena fresta
E por mais que eu veja nas plantas
Glúon que costura as arestas
Serenas fadas que vicejam
Nos sítios mais improváveis
Artifício que a natura mater
Nos incontáveis éons
Para voltar-se para o muito além
Ou para um aquém do que somos
Pois que, meros gomos do todo
Efêmeros signos como outros tantos
Talvez aqui onde e quando estamos
E o quanto meditamos
Seja para contemplar sua singela maneira
De concatenar aparentes ruínas
E se germinam, o rio da existência
Moveu-se ainda mais por sobre as pedras
E somos, sem saber,
Os olhos que precisam vê-las
As simplórias mentes
Carentes de compreendê-las
A Grande Arte é de sutil matéria
Artéria em que corremos
Como a seiva que tudo move
Nem alta montanha,
Nem poço profundo
Somos parte e somos todo
E cada outro pequeno ser
É também nessa estampa
Bordado do infinito
Sutil falsete de mil mundos
Esfera de espelhos
Tenras folhas
Leito de gravetos
Quase-sono de estar aqui
Marco Villarta
Lavras, 20 de março de 2023.



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