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Contabilidade

Qual o valor de existir ?

Não há

Porque é acaso

É fortuna

Dádiva

das probabilidades

Alteridade

com o que não veio

a ser

Algo vale para alguém

Mas quem

subsistirá

ao último lampejo

ao sopro derradeiro

ao encolhimento final

símbolos são  a outra face

espelho das coisas

pela linguagem

(re)criamos mundos

Num desses

Há de estar uma musa

Melhor que seja

Mnemósine

Com olhos absortos

ela há de olhar

para o infinito passado

e na solitária contemplação

há de solfejar

um suspiro

com alívio

saber que aqueles seres

não ficaram sós

o que fizeram

o que foram

valeu a partilha

com outros espantos

de quem também não soube

a essa esfinge

responder.

 

Marco Villarta

29 de fevereiro de 2020

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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