Contabilidade
- Marco Villarta

- há 22 horas
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Qual o valor de existir ?
Não há
Porque é acaso
É fortuna
Dádiva
das probabilidades
Alteridade
com o que não veio
a ser
Algo vale para alguém
Mas quem
subsistirá
ao último lampejo
ao sopro derradeiro
ao encolhimento final
símbolos são a outra face
espelho das coisas
pela linguagem
(re)criamos mundos
Num desses
Há de estar uma musa
Melhor que seja
Mnemósine
Com olhos absortos
ela há de olhar
para o infinito passado
e na solitária contemplação
há de solfejar
um suspiro
com alívio
saber que aqueles seres
não ficaram sós
o que fizeram
o que foram
valeu a partilha
com outros espantos
de quem também não soube
a essa esfinge
responder.
Marco Villarta
29 de fevereiro de 2020



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