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D´olor

Difícil definir as dores

Delicado delimitar

Os dados nas mãos do tempo

Os eventos, fados, sortilégios

Privilégios do estar vivo

Convívios no mistério

De coexistir com seres diversos

Sejam humanos, outros animais

Sejam as floras ou minérios

Mistérios não tem classificação

Difícil definir as dores

Porque elas não terminam

Nem sequer começam

Quando o primeiro respirar

Faz habitar a frágil vida

Porque chegamos

Porque partimos

Compartimos, repartimos

Entrepartimos

Pelo meio das frestas

Pelo estreito das gretas

Pelas fimbrias da escassa luz

Pelos passos do invisível andar

Pelo pisar o íngreme solo do existir

Sem saber

Sem deter

O devir.

 

Marco Villarta

Lavras, 05 de junho de 2023.

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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