Espelhonauta
- Marco Villarta

- há 2 dias
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Há os que na Terra
procuram por rios
finos cursos d´água
ou caudalosas correntes
sementes de mares
de tempestuosos oceanos
Eu, mais por sina
que por escolha
coleciono espelhos
alguns nas paredes da casa
outros no recôndito
das muitas almas
do que sou, do que fui
quem sabe do que serei
contrario o senso comum
espelhos não têm superfícies
nem binárias efígies
são poços de luz
abismos de escuridão
porque o que os ilumina
são os olhos
os meu próprios
os de quem me fita
as memórias de tudo que vi
das dores que ainda não senti
das escaras que o tempo
sulcou no corpo cansado
para os que pensam
que não navego no fluxo
não há maior engano
sagrado e/ou profano
singro a milagrosa
translucidez
embarco em suas reverberações
Tenho aprendido
que não são de vidro
mesmo os que parecem ser
misteriosos portais
calidoscópicos vórtices
insuspeitadas dimensões
os que já se foram
me espreitam
às vezes até se esgueiram
e, então, hesito
em segurar-lhe as mãos
tocar-lhes a ilusória forma
sucedânea de sólidos corpos
talvez como eles também vacilem
no receio de atravessar.
Há os que buscam por rios
que fazem correr a misteriosa água
Busco os líquidos reflexos
com seus fluidos nexos
como múltiplos textos
que, a cada viagem,
vou aprendendo a ler.
Marco Villarta Lavras, 16 de dezembro de 2025.



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