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Espelhonauta

Há os que na Terra

procuram por rios

finos cursos d´água

ou caudalosas correntes

sementes de mares

de tempestuosos oceanos

Eu, mais por sina

que por escolha

coleciono espelhos

alguns nas paredes da casa

outros no recôndito

das muitas almas

do que sou, do que fui

quem sabe do que serei

contrario o senso comum

espelhos não têm superfícies

nem binárias efígies

são poços de luz

abismos de escuridão

porque o que os ilumina

são os olhos

os meu próprios

os de quem me fita

as memórias de tudo que vi

das dores que ainda não senti

das escaras que o tempo

sulcou no corpo cansado

para os que pensam

que não navego no fluxo

não há maior engano

sagrado e/ou profano

singro a milagrosa

translucidez

embarco em suas reverberações

Tenho aprendido

 que não são de vidro

mesmo os que parecem ser

misteriosos portais

calidoscópicos vórtices

insuspeitadas dimensões

os que já se foram

me espreitam

às vezes até se esgueiram

e, então, hesito

em segurar-lhe as mãos

tocar-lhes a ilusória forma

sucedânea de sólidos corpos

talvez como eles também vacilem

no receio de atravessar.

Há os que buscam por rios

que fazem correr a misteriosa água

Busco os líquidos reflexos

com seus fluidos nexos

como múltiplos textos

que, a cada viagem,

vou aprendendo a ler.

Marco Villarta Lavras, 16 de dezembro de 2025.

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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