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Justificativa

Talvez me culpem pela tristeza

Por tanto embate existencial

Mas viver é perigoso

Complexo ofício

De delicada dissecação

Não sei se a alma tem fibras

Músculos, nervos ou tendões

Perdoem-me

Sou sinestésico

E feito personagens de Poe

De sensibilidade extremada

Embriagado de intensidades

Corroído pelos agoras

Ágoras de minha interna multidão

Pathos de inquieta aflição

E o pior

Sou o que vejo

E o que é visto

E já não sei

Na superfície do espelho

Quem olha para quem

 

Marco Villarta

Lavras, 21 de novembro de 2025.

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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