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Sorôco somos nós

Para Lô Borges e para os anônimos desvozeados de seus trens

 

Trem por sobre os trilhos

De outros trens

São vagões escuros

Vão de muro em muro

Transita de exclusão em exclusão

O trem que passa

Despoja dos trens da vida

Humanos empobrecidos

De sua própria condição

Tornam-se translúcidos

Invisíveis vestígios

Algo menos que pó

Porque nunca retornarão

Não têm origem, nem destino

São ratos que morrem no caminho

Expulsos de cada casa

Da minha, da sua, de todos

(os) nós

São corpos vendáveis

Precificados e cegos

Mudas personas

As máscaras já não há

As faces também não

Nas névoas da história

Seus silêncios ensurdecem

Porque nem isso

Permitimos serem seus

São nossos espelhos

Trem de doido somos nós

A macabra pira

Da nossa indiferença

A falsa ira

Da nossa pretensa razão

Trilhos sobre trilhos

Trens sobre trilhos

Trens sobre trilhas

Trens de loucura

Sobre a nossa desrazão

 

Marco Villarta

Lavras, 03 de novembro de 2025.

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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