Epifania
- Marco Villarta

- há 2 dias
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Em muitos ontens
me vêm perguntando
por que a poesia
me arrebata
Nem bem era esse
o termo que ouço
Mas o que posso dizer?
Me arrebata
me consome
me encanta
E sequer a defino
poesia
talvez tal qual o tempo
Como dizia
Agostinho de Hipona
sei o que é
mas se me perguntam...
sinto a poesia
em meus poros
em meus secretos porões
em fissuras da alma
em desníveis de tempo
em descontínuos espaços
é seiva que haure no peito
quando a dor de viver
extrapola o inútil resistir
poesia é o que vejo
nos fofos bichinhos
nos minúsculos insetos
nas discretas plantas
que nos enganam
na sua fixidez aparente
a poesia desmente
o frio pensar
tange o impossível
pois é de outra dimensão
a que nos entrelaça
nos abraça
em exponencial
infinita conexão
se os deuses nos miram
no fundo dos olhos
então é o presente
que recebemos sem culpa
e talvez seja único
numinoso aspecto
que podemos acessar.
néctar do sublime
transvida
emergessência
serena infinitude
inequieta paz.
Marco Villarta
Lavras, 05 de dezembro de 2025.



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