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Epifania

 

Em muitos ontens

me vêm perguntando

por que a poesia

me arrebata

Nem bem era esse

o termo que ouço

Mas o que posso dizer?

Me arrebata

me consome

me encanta

E sequer a defino

poesia

talvez tal qual o tempo

Como dizia

Agostinho de Hipona

sei o que é

mas se me perguntam...

sinto a poesia

em meus poros

em meus secretos porões

em fissuras da alma

em desníveis de tempo

em descontínuos espaços

é seiva que haure no peito

quando a dor de viver

extrapola o inútil resistir

poesia é o que vejo

nos fofos bichinhos

nos minúsculos insetos

nas discretas plantas

que nos enganam

na sua fixidez aparente

a poesia desmente

o frio pensar

tange o impossível

pois é de outra dimensão

a que nos entrelaça

nos abraça

em exponencial

infinita conexão

se os deuses nos miram

no fundo dos olhos

então é o presente

que recebemos sem culpa

e talvez seja único

numinoso aspecto

que podemos acessar.

néctar do sublime

transvida

emergessência

serena infinitude

inequieta paz.

 

Marco Villarta

Lavras, 05 de dezembro de 2025.

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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