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Anjo
Anjos são perfeitas criações de muitos tipos uns, mais poderosos outros, de asas quebradas E que anunciam grandes eventos E quase participam junto Da própria criação Há os anjos com causas perdidas Acompanhando tortas estradas Vendo o humano se desencaminhar Há, porém, um tipo muito especial Os que, discretos, nem ousam saber De sua natureza celestial São os que curam as almas feridas Os que permitem à fé poder voltar Velam junto aos leitos sofridos Onde as almas tentam se re

Marco Villarta
há 22 horas1 min de leitura


Varal
Penduram-se os lençóis Penduram-se os sonhos Tristonhos, alegres Penduram-se lágrimas e também os roucos suores Penduram-se poemas Fragmentos da vida A quarar no sol Aquarela, quimera Flor de gelo Que evanesce no verão Penduram-se sapatilhas Da filha bailarina Que, peregrina, Para outros voos se foi Penduram-se esperanças Lembranças de ontens Memórias consentidas Ou nunca divididas Com quem se prende a paixão Penduram-se versos Tortos, no avesso das coisas No reflexo das somb

Marco Villarta
há 1 dia1 min de leitura


Mito(a)gonias
As moiras tecem humanos destinos Lúgubre trindade que regula o fio do existir Penélope destece nas solitárias noites Na inacabada mortalha, na dor da espera Não basta a perfeita tessitura de Aracne Ante a soberba invídia de Atená Não me fio no que os deuses podem urdir Nem nos labirintos com que ousam confundir o engenho humano, que com não pouca angústia fustiga o infinito em Olimpos quaisquer instinto de iludir a frágil e fugaz finitude achando que Ariadne pode, quem sabe,

Marco Villarta
há 1 dia1 min de leitura


Epitáfio de um negro corpo
O corpo negro jazia no chão Não era singular Era coletivo Um metonímico plural Naquele corpo, Em cada corpo Outra metonímia Insígnia da morte Pouca sorte de quem Nada tem De quem subsiste Inexiste Na diária economia do medo No arremedo de vida Nas migalhas compartilhadas Com os cães O corpo de um preto Retinto no rigor mortis Nos negros sacos funerários Na negra escuridão Da obscura indiferença Os ancestrais e seculares grilhões Continuam ali Nos morros Nas vielas Nas subcida

Marco Villarta
há 1 dia1 min de leitura


Cantiga II
Se olho no espelho vejo no rosto velho uma nova ruga apalpo os sinais da morte da pouca ou muita sorte que vivi caminhando trocando com a terra a dor escondida a coragem engolida fugida do medo arremedo de vida choro represado de tanto passado de um tanto de lida sofridas de sonhos, de gritos conflitos de morte, de vida rouco passado do destino calado do não saber desistir. Marco Villarta Lavras/MG, 12 de março de 2025.

Marco Villarta
há 1 dia1 min de leitura


Liquidez
os dedos, rápidos, deslizam pelo teclado o carro flui pelas ruas e é bom esterçar para aqui e para ali a vida escorre por entre os dedos e não sei se é suave o sempre do incerto o concerto a ser interrompido o surdo estampido da última batida do cansado coração será ouvido pelos anjos ou por nós mesmos embora outros em diverso mundo em paralelo universo? Marco Villarta Lavras/MG, 05 de dezembro de 2024.

Marco Villarta
há 1 dia1 min de leitura


Angelical
Para Inês Leve e doce Com o sutil voo De asas celestiais As pequenas mãos Que cuidam da alma ferida O amor paciente Discreto Como convém Aos puros afetos O meigo olhar E o sorriso que não cessa Mesmo nos mais tristes choros A fé que sustenta Os passos firmes Que convidam a sair Dos abismos mais sombrios Na minha estrada, sem esperar Surgiu um anjo Um gesto divino Uma gratidão por não estar só Por poder amar Por saber novamente Ter bússola Ter uma carinhosa direção. Marco

Marco Villarta
há 1 dia1 min de leitura


Doloração
A dor adormece entorpece desce aos profundos e secretos abismos cisma de relembrar o dolorido passado e o distópico futuro A dor endurece turva a visão faz fenecer as frágeis forças retorce as mãos desvãos insônias perenes esperas ânsias atemporais angústias estilhaços fractais. Marco Villarta Oliveira/MG, 01 de dezembro de 2024

Marco Villarta
há 1 dia1 min de leitura


Isolaousia
A poesia se basta Pois não é nem casta Nem impura, devassa Nos ilimitados campos é o que desconhecemos inábeis que somos E os sonhos arrefecem Na vastidão As solitárias inquietações São várias São de tantos e tantas Quanto se pode adivinhar Pois que a dor alheia É como postura do tarô Rede de arcanos Divinatórios segredos Degredos Exílios Na poesia somos crianças Brincando de cercar o impetuoso mar Com nossas frágeis palavras. Marco Villarta Lavras/MG, 16 de setembro de 202

Marco Villarta
há 1 dia1 min de leitura


Sorvência
Nas noites densas Intensas insônias Fragmentadas premonições Vendo medievais cavaleiros Em lento e ritmado tropel serem meus temidos fantasmas sem rosto nem voz aparições Nas espessas névoas O frio que me veste Por sobre o corpo desproteção sei que estou Para aquém ou além do sol E o profundo espaço É puro silêncio pulsante quietude Antes de cataclísmicas explosões É avesso e anverso de infinitas criações Sobrepostos os infinitos véus As temporais camadas dos céus São também

Marco Villarta
há 1 dia1 min de leitura


Probabilidades
E se as dores Fossem flores Que perfume teriam? Seriam menos belas Que aquelas que não sabemos Qual alegoria emprestam Às sensações de outros seres? E se as dores fossem rochas Talvez tochas ígneas, Talvez lancinantes cristais E se as angústias fossem Estreitos fossos Poços de água cristalina Que ao espelharem as faces Disfarçam seu sem fundo E se as aflições fossem O que são as impossíveis distâncias Reentrâncias na superfície do real E se os antigos gregos estiverem certos

Marco Villarta
há 1 dia1 min de leitura


Deserto III
Deserto não é lugar vazio é minimalismo da ausência é carregar por entre invisíveis e sutis dos focos da vida a iminência do morre r a anuência dos passos não dados a dor do que ainda não se fez e do que irremediavelmente se deixou de fazer é na desolação do silêncio ouvir gritarem as interiores vozes olhar para o impossível horizonte enxergar fantasmáticas aparições dos que se foram dos que já fomos dos que jamais seremos no árido frio das noites escuras no escaldante sol

Marco Villarta
há 1 dia1 min de leitura


DNA
Chegar e partir... Onde ir... E os irritantes porquês Passaremos cada tempo de existência Na solidão de cada indivíduo E no anonimato da espécie E o universo continuará, perplexo A ignorar nossa busca do sentido Fazer sentido É concatenar começo e fim, Causa e consequência É ligar tempos e memórias Pobres de nós Não cabemos nas simultaneidades Nos descontínuos infinitos espaços Nos compactados ou elásticos tempos Desse universo que desconhecemos O que há no espaço entre um pr

Marco Villarta
25 de jul.1 min de leitura


Sete-de-Ouros
Jogo jugo Truco Engano e engenho Vida que capota Em cada nova situação Impossível saber Se duro o futuro Quando emerge o presente Dádiva ou maldição Surpresa de quem vive Ver acontecer o que não sabe Coexistir com o perigo E com o heroico Do momento Único, último Definitivo. Marco Villarta Oliveira/MG, 12 de julho de 2026.

Marco Villarta
12 de jul.1 min de leitura


Uranos
Numa língua estranha vislumbrou o passado enterrado em tantos véus no jeito como viu andarem os desconhecidos peregrinos reconheceu as batidas no próprio peito e por efeito dos fragmentos de memória viu-se como tantas faces sentiu a dor de suas tantas mortes e só foi por sorte que resistiu a tanto desalento em sobrepostos tempos Ouviu baterem palmas e pisarem o chão no ritmo com que a dança do começo e do fim faz círculos com todos os convivas dessa estranha estação a nave at

Marco Villarta
6 de jul.1 min de leitura


Olhos seus
No mundo que vejo É seu olhar que penso Estar ainda captando As cores, os brilhos Na minha memória Confundo as lembranças Minhas, suas, nossas Por que labirintos vagueio E me esgueiro por tais Escuros vãos, Movediços chãos? Marco Villarta Lavras/MG, 21 de outubro de 2022

Marco Villarta
6 de jul.1 min de leitura


Condicional II
Se o sono dos lutos É oblívio dos vivos Sobreviventes do caos Se o silêncio dos peitos E o trêmulo das pernas Traz o peso dos obscuros Labirínticos porões As lágrimas que ainda vertem Se revestem de tantas túnicas Única estrada de pedregosa dor Se a coragem quase arrefeceu Se os pedaços arrancados de mim Foram plena antítese do céu Foram abraços que chegaram ao fim Se por tudo isso lutei pesados lutos E enfrentei a verborragia dos brutos Mas os duros golpes no peito S

Marco Villarta
6 de jul.1 min de leitura


Glossário
Dexistir é deixar de existir Desistir do devir Falecer é falhar Na falência do que pulsa Na latência do que brilha Idade é movimento Ida sem volta, Impotente revolta Diante do que já não é A morte só faz sentido Quando no sintagma Quando recebe o artigo Pois que é amor desmembrado E o ser amado que se incorpora Em aparência de pronome em desuso E a rima é forte com todas as dores Com todas as mutilações Dos órgãos da alma Da calma que já não mais será Dos mundos que perderam

Marco Villarta
4 de jul.1 min de leitura


Esgarcez
Em que livros há a geographia das ausências? Em que Atlas os mapas do que já não há Ou do que nunca esteve Com que réguas mensurar a natureza da dor Não se mede em léguas, anos-luz, Nem na extensão dos poemas Apenas dói Apenas amalgamamos Do fluir do estar e não estar Do já-não-ser e do ainda-não-existir Fantasmática pantomima São simulacros sobre simulacros Símbolo é algo no lugar de outro Outra coisa, aliena pessoa Alheio acontecer Distópico território social Onde se amarra

Marco Villarta
4 de jul.1 min de leitura


Cosmogonia
Há por entre cada pedaço de nós distâncias infinitas mesmo que em diminutas escalas Portanto, não é estranho que sejamos ausências pontilhadas pelo pulsar de pouca solidez Se há dores que permanecem fortes Se os vazios se mantém profundos é porque entre os tantos mundos as mortes parecem mais do que são é difícil lidar com os fluidos contornos ectoplasmáticos, sutis fios de cósmica seda que as aracnes do tempo tecem sem pressa peça por peça em infinito tear e nos ínfimos pont

Marco Villarta
4 de jul.1 min de leitura
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