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Sorvência

6 de ago.
1 min de leitura

Nas noites densas

Intensas insônias

Fragmentadas premonições

Vendo medievais cavaleiros

Em lento e ritmado tropel

serem meus temidos fantasmas

sem rosto nem voz

aparições

Nas espessas névoas

O frio que me veste

Por sobre o corpo desproteção

sei que estou

Para aquém ou além do sol

E o profundo espaço

É puro silêncio

pulsante quietude

Antes de cataclísmicas explosões

É avesso e anverso de infinitas criações

Sobrepostos os infinitos véus

As temporais camadas dos céus

São também as mil folhas de nossa visão

Quebradiças

Delicadas

Intangíveis

E se com rapidez

Derretem na boca

É o contraponto de paciente labor

De intercalar o que pensamos

Sentir o que herdamos

A fragilidade de nossa condição.

 

Marco Villarta

Lavras/MG, 16 de setembro de 2024.

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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