Sorvência
Nas noites densas
Intensas insônias
Fragmentadas premonições
Vendo medievais cavaleiros
Em lento e ritmado tropel
serem meus temidos fantasmas
sem rosto nem voz
aparições
Nas espessas névoas
O frio que me veste
Por sobre o corpo desproteção
sei que estou
Para aquém ou além do sol
E o profundo espaço
É puro silêncio
pulsante quietude
Antes de cataclísmicas explosões
É avesso e anverso de infinitas criações
Sobrepostos os infinitos véus
As temporais camadas dos céus
São também as mil folhas de nossa visão
Quebradiças
Delicadas
Intangíveis
E se com rapidez
Derretem na boca
É o contraponto de paciente labor
De intercalar o que pensamos
Sentir o que herdamos
A fragilidade de nossa condição.
Marco Villarta
Lavras/MG, 16 de setembro de 2024.




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