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Cavilações
às vezes penso que sou bobo demais me apiedo dos monstros pondero sobre as angústias das pedras considero o conselho do pólen que se demora a se assentar no pó de outras sementes prementes das respostas que eu não sei dar. às vezes conjecturo que o tempo é io-io-iô nem passado, nem futuro apenas nossas indas e vindas desordenadas memórias aflições que hão de vir às vezes concluo que poetas não batem bem da cachola inventam remédios pras dores que não sabem explicar e as dores

Marco Villarta
há 5 horas1 min de leitura


Metalurgia
A dor forja Força as portas Tortas expressões Do fátuo fogo Do logro do tempo Do evento-mistério De existir E o ar que falta Salta do peito Feito fatal parto Farto de encenar As tenazes cores De absurda tela De informe escultura Urdidura a se esvair E se o fio se encerra Encera então o fim Assim frágil sopro Tríplice alpinista Rúach, nêphesh, neshamáh Pavio que se apaga Vida a se derramar. Marco Villarta 2026.

Marco Villarta
há 23 horas1 min de leitura


Gênera
Era a manhã do tempo Dois seres se viram Mas nos mitos de origem Nos primórdios do mundo Os primeiros gerados Não têm olhos nem bocas Corpos nem sonhos Tudo é novo no início das lendas Tudo é esperança no princípio das coisas Ver-se é uma metáfora Porque um sonho depende de outro Um relato é sempre diálogo Mas dois seres se perceberam E se souberam cada um No próprio existir Entenderam, então, Que não há razão em ser Sem ter o que contar para alguém Que haveria um terceiro Se

Marco Villarta
há 23 horas1 min de leitura


Epitáfio
Encontrei um livro num sebo E, dentro, Arqueólogo Tantos papéis Anotações Lições de aula Ensaios de assinatura De alguém que treinava ser Ficha odontológica com pontos de prova Sorri Folhear um tempo inesperado Ver o traço da letra cunhada à lápis Já um tanto apagada Sinais de presença de quem já se foi dividiu o mundo comigo Sem que soubéssemos Divisados por fronteiras De tempo, espaço Pensei em mim Nos traços que vou deixando Nos rabiscos em papéis E na vida de outras sombr

Marco Villarta
há 23 horas1 min de leitura


Atlas
Deserto Não é incerta geografia É existência Ampulheta movida por ventos Mar revolto de secos segredos Movediço Inconstante No seu falso silêncio Ressoa o assobio do tempo Balbucia o murmúrio da morte Labirinta-se o mistério da vida Beco sem paredes Poço sem contornos Deserto é linguagem sem metáfora Impossível fim Gênese sem mito. Desabitamos nele Como quem sonha estar dormindo Quem nos despertará? Marco Villarta 2017

Marco Villarta
há 23 horas1 min de leitura


Arte
A elegância do viver É uma arte É elegante não ter pressa Aprender com os erros Próprios e alheios. Sentir o tempo Envelhecer junto Não como um desgaste Mas como uma brisa tépida já não derruba as casas Nem fustiga as árvores. A sabedoria do sentir É uma arte Não porque discerne os caminhos Mas porque os sabe ilusórios como o próprio escolher. A paciência de existir É uma arte Não porque seja uma consequência De experienciar os caminhos Nem a insensibilidade De desol(h)ar as

Marco Villarta
há 24 horas1 min de leitura


Pro texto
para não dizer da fala que falta silêncio Marco Villarta 1997

Marco Villarta
há 24 horas1 min de leitura


Fadas elíseas
Para Juracy Ribeiro e Elisa Ribeiro No meio das estradas anjos planam elementais generosas graças elíseas conjugadas conjuradas discretos seres de luz a mão estendida, sutil faz a fé se manter ainda vale a pena viver iluminação pequenos sóis nunca estivemos sós. Marco Villarta Lavras/MG, 30 de julho de 2026.

Marco Villarta
há 1 dia1 min de leitura


Averso
Para Neusa Cardoso No verso da esfera Hei de ver Xangri- Lá Onde Ver de vereda(s) Outras faces de espelho Fazer corrupio Bendizer as abelhas No verso da esfera Criança com velho Irão se encontrar. 2016

Marco Villarta
há 1 dia1 min de leitura


DNA
Chegar e partir... Onde ir... E os irritantes porquês Passaremos cada tempo de existência Na solidão de cada indivíduo E no anonimato da espécie E o universo continuará, perplexo A ignorar nossa busca do sentido Fazer sentido É concatenar começo e fim, Causa e consequência É ligar tempos e memórias Pobres de nós Não cabemos nas simultaneidades Nos descontínuos infinitos espaços Nos compactados ou elásticos tempos Desse universo que desconhecemos O que há no espaço entre um pr

Marco Villarta
há 6 dias1 min de leitura


Sete-de-Ouros
Jogo jugo Truco Engano e engenho Vida que capota Em cada nova situação Impossível saber Se duro o futuro Quando emerge o presente Dádiva ou maldição Surpresa de quem vive Ver acontecer o que não sabe Coexistir com o perigo E com o heroico Do momento Único, último Definitivo. Marco Villarta Oliveira/MG, 12 de julho de 2026.

Marco Villarta
12 de jul.1 min de leitura


Uranos
Numa língua estranha vislumbrou o passado enterrado em tantos véus no jeito como viu andarem os desconhecidos peregrinos reconheceu as batidas no próprio peito e por efeito dos fragmentos de memória viu-se como tantas faces sentiu a dor de suas tantas mortes e só foi por sorte que resistiu a tanto desalento em sobrepostos tempos Ouviu baterem palmas e pisarem o chão no ritmo com que a dança do começo e do fim faz círculos com todos os convivas dessa estranha estação a nave at

Marco Villarta
6 de jul.1 min de leitura


Olhos seus
No mundo que vejo É seu olhar que penso Estar ainda captando As cores, os brilhos Na minha memória Confundo as lembranças Minhas, suas, nossas Por que labirintos vagueio E me esgueiro por tais Escuros vãos, Movediços chãos? Marco Villarta Lavras, 21 de outubro de 2022

Marco Villarta
6 de jul.1 min de leitura


Inquisitio
Quem não ? Nunca ? Ninguém ? Nada ? Negativas certezas subtraídas razões O outro é o outro do espelho Mas se olho, sou eu Mas se vejo, sou avesso Desse verso mistério de achar-se perdido no que penso encontrar Sou música surda tela sem pintar o rio que flui monótono no inexoráravel existir escravo do movimento parado em se transformar sou sendo a contínua pergunta a dúvida, que, suspensa, não me deixa saber-me de mim nem sequer ser outro que não seja o vazio de não se complet

Marco Villarta
6 de jul.1 min de leitura


Condicional
Se o sono dos lutos É oblívio dos vivos Sobreviventes do caos Se o silêncio dos peitos E o trêmulo das pernas Traz o peso dos obscuros Labirínticos porões As lágrimas que ainda vertem Se revestem de tantas túnicas Única estrada de pedregosa dor Se a coragem quase arrefeceu Se os pedaços arrancados de mim Foram plena antítese do céu Foram abraços que chegaram ao fim Se por tudo isso lutei pesados lutos E enfrentei a verborragia dos brutos Mas os duros golpes no peito S

Marco Villarta
6 de jul.1 min de leitura


Acarinho
Ah se eu pudesse ter você comigo Agora, no instante mesmo, no aconchego Traria você pra dentro e deitaria juntinho Entre momentos de silêncio, de carinho Deitaria no seu colo, feito carente menino Me deitaria no seu corpo, feito homem sedento E nesse alento, riríamos muito, entre outros ruídos O amor é assim, mesmo, de suaves planícies De alturas de a gente perder de vista, os sentidos Faz a vida ser provada, faz a paz chegar mansinha Ah, se eu pudesse ter você comigo Agora,

Marco Villarta
5 de jul.1 min de leitura


Aer
Às vezes sinto inveja das plantas As plantas que se esgueiram Pelas estruturas metálicas E, esquálidas, ocupam de vida Cada pequena fresta E por mais que eu veja nas plantas Glúon que costura as arestas Serenas fadas que vicejam Nos sítios mais improváveis Artifício que a natura mater Nos incontáveis éons Para voltar-se para o muito além Ou para um aquém do que somos Pois que, meros gomos do todo Efêmeros signos como outros tantos Talvez aqui onde e quando estamos E o quanto

Marco Villarta
5 de jul.1 min de leitura


Aceno
Até o infinito Não há íngreme estrada Nem escarpada montanha Até o infinito Descomeça o fim E destermina a origem Não há primeiras Ou últimas letras O infinito não se escreve Nem se registra É fluxo também do que somos Junto ao ilimitado rio E esse fio ninguém Sabe onde vai dar E se em algum dia ou noite A memória brincar De descobrir fragmentos A única certeza É o eterno movimento O que persiste sendo O que vamos vivendo Entretecendo Infinitos nós. Marco Villarta Lavras, 1

Marco Villarta
5 de jul.1 min de leitura


Contabilidade
Qual o valor de existir ? Não há Porque é acaso É fortuna Dádiva das probabilidades Alteridade com o que não veio a ser Algo vale para alguém Mas quem subsistirá ao último lampejo ao sopro derradeiro ao encolhimento final símbolos são a outra face espelho das coisas pela linguagem (re)criamos mundos Num desses Há de estar uma musa Melhor que seja Mnemósine Com olhos absortos ela há de olhar para o infinito passado e na solitária contemplação há de solfejar um suspiro com alí

Marco Villarta
5 de jul.1 min de leitura


Urdume
Haverá no avesso dos versos Submersos endereços Onde as almas se encontram? Será a mesma eternidade Do menino que pensa Sempre estar ali O sonho doce da padaria da esquina do velho que sente fluida a contínua vida para além de todos os tempos e de todos os cantos? Serão as perguntas As respostas que já temos Mas nos esquecemos onde guardamos E por isso precisamos Fuçar nos bolsos das roupas No profundo das gavetas Que ainda não arrumamos? Será a existência Um intermitente pul

Marco Villarta
4 de jul.1 min de leitura
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