Varal
- Marco Villarta

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Penduram-se os lençóis
Penduram-se os sonhos
Tristonhos, alegres
Penduram-se lágrimas
e também os roucos suores
Penduram-se poemas
Fragmentos da vida
A quarar no sol
Aquarela, quimera
Flor de gelo
Que evanesce no verão
Penduram-se sapatilhas
Da filha bailarina
Que, peregrina,
Para outros voos se foi
Penduram-se esperanças
Lembranças de ontens
Memórias consentidas
Ou nunca divididas
Com quem se prende a paixão
Penduram-se versos
Tortos, no avesso das coisas
No reflexo das sombras
Na antiluz do sol sobre o rosto
No que está disposto viver
No fado que não se conhece
Penduram-se os nós.
Marco Villarta
Lavras/MG, 02 de julho de 2026.



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