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Varal

Penduram-se os lençóis

Penduram-se os sonhos

Tristonhos, alegres

Penduram-se lágrimas

e também os roucos suores

Penduram-se poemas

Fragmentos da vida

A quarar no sol

Aquarela, quimera

Flor de gelo

Que evanesce no verão

Penduram-se sapatilhas

Da filha bailarina

Que, peregrina,

Para outros voos se foi

Penduram-se esperanças

Lembranças de ontens

Memórias consentidas

Ou nunca divididas

Com quem se prende a paixão

Penduram-se versos

Tortos, no avesso das coisas

No reflexo das sombras

Na antiluz do sol sobre o rosto

No que está disposto viver

No fado que não se conhece

Penduram-se os nós.

 

Marco Villarta

Lavras/MG, 02 de julho de 2026.

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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