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Mito(a)gonias

As moiras tecem humanos destinos

Lúgubre trindade que regula o fio do existir

Penélope destece nas solitárias noites

Na inacabada mortalha, na dor da espera

Não basta a perfeita tessitura de Aracne

Ante a soberba invídia de Atená

Não me fio no que os deuses podem urdir

Nem nos labirintos com que ousam confundir

o engenho humano, que com não pouca angústia

fustiga o infinito em Olimpos quaisquer

instinto de iludir a frágil e fugaz finitude

achando que Ariadne pode, quem sabe, nos salvar

de tão horríveis minos, astérios, tauros

dos funestos e labirínticos mistérios

dos ávidos ponteiros de Cronos a nos devorar

nós, seus mais bastardos filhos

nós, antepasto dos Cíclopes

E se, de Calíope, herdamos a épica poiésis

E na gaia ciência, a esperança do eterno retorno

Entorno, porém, somos também das romanas parcas

Arcas de Pandora, desditas de Cassandra

Somos o que somos, probabilísticos heróis

Se as Kárites, as graças nos bendizerem

Se Mnemósine lembrar-se de nós

Não sei se somos fios, bastidores ou tramas

No dinâmico tecido do espaço e do tempo

Não sei se as divinas mãos que nos fiam

São mais que enfermas alegorias

Do febril afã de ainda estarmos aqui

Se fatos são fados, atados desígnios

Insígnias do que só os que nos descendem

Poderão sobre nós entretecer.

 

Marco Villarta

Lavras/MG, 24 de junho de 2026.

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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