Deserto III
Deserto não é lugar vazio
é minimalismo da ausência
é carregar por entre
invisíveis e sutis
dos focos da vida
a iminência do morre
r a anuência dos passos não dados
a dor do que ainda não se fez
e do que irremediavelmente
se deixou de fazer
é na desolação do silêncio
ouvir gritarem as interiores vozes
olhar para o impossível horizonte
enxergar fantasmáticas aparições
dos que se foram
dos que já fomos
dos que jamais seremos
no árido frio
das noites escuras
no escaldante sol
dos dias sem fim
somos os passos trôpegos
que insistem em macerar a areia
deserto é o caminho
sem partida, nem chegada
a tensa espera entre cada oásis
deserto é nunca
estar nem aqui, nem lá
e, por isso,símile eternidade
simbiose vida/morte
sorte de dessaber-se
sem completamente enlouquecer.
Marco Villarta
Lavras/MG, 09 de setembro de 2024.




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