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Deserto III

6 de ago.
1 min de leitura

Deserto não é lugar vazio

é minimalismo da ausência

é carregar por entre

invisíveis e sutis

dos focos da vida

a iminência do morre

r a anuência dos passos não dados

a dor do que ainda não se fez

e do que irremediavelmente

se deixou de fazer

é na desolação do silêncio

ouvir gritarem as interiores vozes

olhar para o impossível horizonte

enxergar fantasmáticas aparições

dos que se foram

dos que já fomos

dos que jamais seremos

no árido frio

das noites escuras

no escaldante sol

dos dias sem fim

somos os passos trôpegos

que insistem em macerar a areia

deserto é o caminho

sem partida, nem chegada

a tensa espera entre cada oásis

deserto é nunca

estar nem aqui, nem lá

e, por isso,símile eternidade

simbiose vida/morte

sorte de dessaber-se

sem completamente enlouquecer.


Marco Villarta

Lavras/MG, 09 de setembro de 2024.

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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