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Probabilidades

E se as dores

Fossem flores

Que perfume teriam?

Seriam menos belas

Que aquelas que não sabemos

Qual alegoria emprestam

Às sensações de outros seres?

E se as dores fossem rochas

Talvez tochas ígneas,

Talvez lancinantes cristais

E se as angústias fossem

Estreitos fossos

Poços de água cristalina

Que ao espelharem as faces

Disfarçam seu sem fundo

E se as aflições fossem

O que são as impossíveis distâncias

Reentrâncias na superfície do real

E se os antigos gregos estiverem certos

Cobertos de túnicas pretas

Empunhando sombrias máscaras

E a consciência for esse coro

Que ruge, arde nos peitos, nos poros

E seja, ainda, micelânica rede

Sede de distributas conexões

E o que somos seja ressonância

Não sei quantas oitavas

Acima ou abaixo

Mas quem sabe se assemelham

Se espelham na nossa desconhecida tez

E em vez de olharmos para dentro

É o momento que cruza todas as visões

Emaranha nossos desconheceres

Pobres seres

Pó dos teceres

Nós nas tramas

Do que escoa

Resi(g)na do que dói

Latejantes sóis

Espessa escuridão.

 

Marco Villarta

Lavras/MG, 16 de setembro de 2024.

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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