Probabilidades
- Marco Villarta

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E se as dores
Fossem flores
Que perfume teriam?
Seriam menos belas
Que aquelas que não sabemos
Qual alegoria emprestam
Às sensações de outros seres?
E se as dores fossem rochas
Talvez tochas ígneas,
Talvez lancinantes cristais
E se as angústias fossem
Estreitos fossos
Poços de água cristalina
Que ao espelharem as faces
Disfarçam seu sem fundo
E se as aflições fossem
O que são as impossíveis distâncias
Reentrâncias na superfície do real
E se os antigos gregos estiverem certos
Cobertos de túnicas pretas
Empunhando sombrias máscaras
E a consciência for esse coro
Que ruge, arde nos peitos, nos poros
E seja, ainda, micelânica rede
Sede de distributas conexões
E o que somos seja ressonância
Não sei quantas oitavas
Acima ou abaixo
Mas quem sabe se assemelham
Se espelham na nossa desconhecida tez
E em vez de olharmos para dentro
É o momento que cruza todas as visões
Emaranha nossos desconheceres
Pobres seres
Pó dos teceres
Nós nas tramas
Do que escoa
Resi(g)na do que dói
Latejantes sóis
Espessa escuridão.
Marco Villarta
Lavras/MG, 16 de setembro de 2024.



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