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Cantiga


resvalo seu seios

sei os seus medos

amamento-os la(c)tentes, sensíveis

impossíveis verdades sugadas da terra

pólen de abelhas espalhado na cama

mergulho no poço (posso?)

sonho a semente

sinto somente

enxergo, enxerto a visão minha das coisas

nos olhos (dos) outros

vacilo vazio acima de mim e do medo

me meto no emaranhado que teço

permeio seus infinitos segredos

ainda bêbado da doçura em excesso

enxugo o sexo: estremeço

na noite que desce nos corpos

adivinho seu sono

sou seu ator, seu coro, seu público

nu, anfiteatro

sou grego, romano e egípcio

existo: é minha forma de amar


Marco Villarta

Campinas/SP, 22 de junho de 1992.

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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