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DNA

Chegar e partir...

Onde ir...

E os irritantes porquês

Passaremos cada tempo de existência

Na solidão de cada indivíduo

E no anonimato da espécie

E o universo continuará, perplexo

A ignorar nossa busca do sentido

Fazer sentido

É concatenar começo e fim,

Causa e consequência

É ligar tempos e memórias

Pobres de nós

Não cabemos nas simultaneidades

Nos descontínuos infinitos espaços

Nos compactados ou elásticos tempos

Desse universo que desconhecemos

O que há no espaço entre um próton e um elétron ?

Nunca vamos saber

Como nunca saberemos o que existe entre uma inspiração e outra

Como saber dos intervalos entre duas piscadas

Ou o que ocorre com a luz da imagem de um sorriso

Entre a boca de quem ri e o olho de quem vê

Apartados de nós mesmos

Do que possa ser o outro

Inanimado ou vivo

Inerte ou em movimento

Humano ou não humano

Como saber do que fomos

Se a memória teimosamente

Recria cada segundo

Reconstrói  uma identidade

Mas sempre provisória

Sempre incompleta

Somos sons e luzes ?

Somos o silêncio dos frios espaços

Ou o tempo das infinitas distâncias ?

Talvez uma palavra nos defina

Nunc(a). Agora e em tempo algum.

Talvez sejamos apenas a busca

E a falta de respostas...


Marco Villarta

Lavras, 18/04/2013 - 8h18


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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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