Esgarcez
- Marco Villarta

- há 2 dias
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Em que livros há a geographia das ausências?
Em que Atlas os mapas do que já não há
Ou do que nunca esteve
Com que réguas mensurar a natureza da dor
Não se mede em léguas, anos-luz,
Nem na extensão dos poemas
Apenas dói
Apenas amalgamamos
Do fluir do estar e não estar
Do já-não-ser e do ainda-não-existir
Fantasmática pantomima
São simulacros sobre simulacros
Símbolo é algo no lugar de outro
Outra coisa, aliena pessoa
Alheio acontecer
Distópico território social
Onde se amarram todos os nós
Onde, juntos, seguimos sós
Mesmo gritando, sem voz
Será o tempo verdadeiro algoz?
Míope engano
Tempo é percepção
Dualidade
Espaço de intermitência
Urgência de se conhecer
A luz não se percebe quase eterna
É atemporalmente lampejo
Instantâneo fulgor
Nós, que nem brilhamos
Também.
Marco Villarta
Lavras, 01 de fevereiro de 2024.



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