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Esgarcez

Em que livros há a geographia das ausências?

Em que Atlas os mapas do que já não há

Ou do que nunca esteve

Com que réguas mensurar a natureza da dor

Não se mede em léguas, anos-luz,

Nem na extensão dos poemas

Apenas dói

Apenas amalgamamos

Do fluir do estar e não estar

Do já-não-ser e do ainda-não-existir

Fantasmática pantomima

São simulacros sobre simulacros

Símbolo é algo no lugar de outro

Outra coisa, aliena pessoa

Alheio acontecer

Distópico território social

Onde se amarram todos os nós

Onde, juntos, seguimos sós

Mesmo gritando, sem voz

Será o tempo verdadeiro algoz?

Míope engano

Tempo é percepção

Dualidade

Espaço de intermitência

Urgência de se conhecer

A luz não se percebe quase eterna

É atemporalmente lampejo

Instantâneo fulgor

Nós, que nem brilhamos

Também.

 

Marco Villarta

Lavras, 01 de fevereiro de 2024.

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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