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Cosmogonia

4 de jul.
1 min de leitura

Atualizado: 5 de ago.

Há por entre cada pedaço de nós

distâncias infinitas

mesmo que em diminutas escalas

Portanto, não é estranho que sejamos ausências

pontilhadas pelo pulsar de pouca solidez

Se há dores que permanecem fortes

Se os vazios se mantém profundos

é porque entre os tantos mundos

as mortes parecem mais do que são

é difícil lidar com os fluidos contornos

ectoplasmáticos, sutis fios de cósmica seda

que as aracnes do tempo tecem sem pressa

peça por peça em infinito tear

e nos ínfimos pontos da trama do tecido

que trança todas as coisas

somos tênues e frágeis linhas

de quase invisível fio

riscos de pequeninos rios

corrupios do infinitesimal

o embaixo assim como está o acima

pois o quase imperceptível

é um modo de ser ilimitado

de o mundo mostrar-se calidoscópio

e por entre o infindável entrelaçado

sermos o nada que tudo gera

sermos partes para o todo se ver

sermos a indivisível totalidade sem fim.

 

Marco Villarta

Lavras/MG, 07 de fevereiro de 2024.

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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