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Metamorfo
Como indomável felino Cerro lentamente os olhos E entre dois piscares Universos se criam Éons se alternam Nos sonhos dos deuses Tenho a ambígua docilidade Tremeluzente dos pinschers Tenho às vezes o lento ritmo Das encantadas preguiças Outras, sou elétrica fuinha Quase nunca sou arquiteto Como os diligentes castores Pois a urgência das dores Me faz zumbicantante Como os mais aflitos insetos E é certo que entre tantos Outros animais Mimetizo o que não sei do humano Sigo a cósm

Marco Villarta
4 de jul.1 min de leitura


СНОВИДЕНИЕ*
Entre o aqui E o distante lá Entre os grandes espaços Do que está dentro Dos pequenos infinitos E das exponenciais grandezas Me perco Me dissolvo Me envolvo Nas lonjuras sem fim E de mim só posso saber Os traços que se apagam Os sonhos que se afagam Sem já sequer me lembrar De quantas estradas parti Das coisas tantas que vi E se vivi tanto assim Não tenho certezas De quantos outros eus Consigo ainda recordar Fazer voltar Ao profundo do coração Porque o físico órgão É apenas p

Marco Villarta
4 de jul.1 min de leitura


Agenda
Dar-se a calma da lenta espera Porque nesta incerta esfera Resta à alma evitar a tormenta Fluir-se no ilusório tempo No que se enfrenta Marco Villarta Lavras, 23 de janeiro de 2026.

Marco Villarta
4 de jul.1 min de leitura


Прошлое*
O passado volta Faz reserva de hotel Reivindica horários Para o café em família Que quase já não há Traz pessoas, sensações Traz dores, fantasmas O passado não tem rosto Na indeterminação da face Há um espelho Que mostra o tempo O coração é um pêndulo Oscila, não bate Companhia de gênio instável Vai e vem sem avisar E quando ousa aparecer Sempre surpreende Reascende Antigas comoções No fundo, no seu âmago Escancara nossa finitude Mascara a nossa aflição Com a crueza Do agora

Marco Villarta
4 de jul.1 min de leitura


Radiestesista
Há nos poços Líquida refrescância E no frescor que alivia Nos perdemos a olhar Para o que está abaixo Da superfície da água Debaixo do invisível fundo Misterioso mundo meio imaginado, meio secreto, Pois que o que está além do poço Nem poço é mais Penso, em momentos de vertigem Se há contrapoços Se há profundidades Que nos afogam em vez de saciar Que nos trazem escuridão diversa Daquela que nos alimenta Se tais poços estão dentro ou fora Dos desertos internos ou externos Se há

Marco Villarta
4 de jul.1 min de leitura


Circulações
as voltas voam velejam ensejam novas vidas mas as voltas envoltas revoltas voláteis memórias reminiscências proibidos retornos porém... ainda bem que as voltas revolvem des-resolvem antigos nós retransformam finíssimos grãos de nossos pós o talco que maquia a máscara falseia o pancake que é única face que se olhasse no turbilhão de espelhos veria seus avessos seus outros começos seus proféticos finais as voltas são ciclos périplos espirais desníveis que irrompem do infinito c

Marco Villarta
4 de jul.1 min de leitura


Elipses
De que misterioso sol Celebro o ciclo De que camada da espiral Espiono o que fui E o que serei De qual pele me revisto Nessa presente existência De qual animal tenho os olhos Os pelos, asas ou garras Ou serei as rugosas folhas Os séculos que arredondam Os transparentes seixos Na água que flui sem pressa Sem começo, nem fim Os abstratos ponteiros A paciente clepsidra Ou o resignado relógio de sol Em qual intervalo Em que intermitência Ouso existir? E que outros degraus de vida

Marco Villarta
4 de jul.1 min de leitura


Espelhonauta
Há os que na Terra procuram por rios finos cursos d´água ou caudalosas correntes sementes de mares de tempestuosos oceanos Eu, mais por sina que por escolha coleciono espelhos alguns nas paredes da casa outros no recôndito das muitas almas do que sou, do que fui quem sabe do que serei contrario o senso comum espelhos não têm superfícies nem binárias efígies são poços de luz abismos de escuridão porque o que os ilumina são os olhos os meu próprios os de quem me fita as memória

Marco Villarta
4 de jul.1 min de leitura


Epifania
Em muitos ontens me vêm perguntando por que a poesia me arrebata Nem bem era esse o termo que ouço Mas o que posso dizer? Me arrebata me consome me encanta E sequer a defino poesia talvez tal qual o tempo Como dizia Agostinho de Hipona sei o que é mas se me perguntam... sinto a poesia em meus poros em meus secretos porões em fissuras da alma em desníveis de tempo em descontínuos espaços é seiva que haure no peito quando a dor de viver extrapola o inútil resistir poesia é o qu

Marco Villarta
4 de jul.1 min de leitura


Justificativa
Talvez me culpem pela tristeza Por tanto embate existencial Mas viver é perigoso Complexo ofício De delicada dissecação Não sei se a alma tem fibras Músculos, nervos ou tendões Perdoem-me Sou sinestésico E feito personagens de Poe De sensibilidade extremada Embriagado de intensidades Corroído pelos agoras Ágoras de minha interna multidão Pathos de inquieta aflição E o pior Sou o que vejo E o que é visto E já não sei Na superfície do espelho Quem olha para quem Marco Villart

Marco Villarta
4 de jul.1 min de leitura


Sorôco somos nós
Para Lô Borges e para os anônimos desvozeados de seus trens Trem por sobre os trilhos De outros trens São vagões escuros Vão de muro em muro Transita de exclusão em exclusão O trem que passa Despoja dos trens da vida Humanos empobrecidos De sua própria condição Tornam-se translúcidos Invisíveis vestígios Algo menos que pó Porque nunca retornarão Não têm origem, nem destino São ratos que morrem no caminho Expulsos de cada casa Da minha, da sua, de todos (os) nós São corpos v

Marco Villarta
4 de jul.1 min de leitura


Testamento
Tais quais os labirintos sem muros, nem paredes dos arenosos desertos O cansaço de errante viajor pelas desoladas desplanuras do mundo Faz mais que as dores do retesado corpo ou de indefinido sopro de vida A parte de muito antiga alma, vacante em inconsciente peregrinação Faz parear com as porosas pedras, com as estagnadas, limosas águas De pútridos pântanos, de insalubres, pestilentos, mas invisíveis miasmas O ar que respiro já quase não anima o impreciso barro de que fui f

Marco Villarta
4 de jul.2 min de leitura


Bôlh
A cada dor, desço aos mais impossíveis porões Masmorras existenciais A cada insucesso Trafego pelo espesso subsolo E as secreções das chagas Não atraem físicas moscas Mas latejam, ressoam Porejam para uma indivisa dimensão Onde pressinto que mitológicos cães As lambem como se fossem suas próprias Desconheço se há consolo No escondido pranto que atravessa Eras e partes de mim dispersas Tempo e espaço talvez sejam Calidoscópias fronteiras E o rodopio de nossas almas Sejam – pa

Marco Villarta
26 de ago. de 20251 min de leitura


Fratura
Quando o corpo cansa E a dor alcança Os cantinhos mais sutis Da alma já antiga... Quando o sopro quase cessa E, fraco, desconecta cada...

Marco Villarta
25 de ago. de 20251 min de leitura


Estalagmite
Há na quietude Algo de mergulho Borbulho de quem se afoga E vê nas bolhas do escasso ar que se esvai A vida cessando de fazer ruído As...

Marco Villarta
25 de ago. de 20251 min de leitura


Metaphisica II
Há palavras sob as palavras sob as pedras úmidas, feito os tatuzinhos de jardim Há silêncios além e aquém de nossa parca e pobre audição...

Marco Villarta
25 de ago. de 20251 min de leitura


Redoer
As dores remoem remam, navegam no contato com os mares líguidos salares elas redoem As dores ficam complicam o simples o tênue e sutil...

Marco Villarta
28 de jun. de 20251 min de leitura


Ampulheta III
Para meu pai É como se os fortes vencessem a morte e posassem nas selfies com a alegria inerte de insossa imortalidade É como se o...

Marco Villarta
28 de mai. de 20251 min de leitura


Make up
Scar Scare Nightmare Death flare Beneath anywhere Just living Pretending to dare. Marco Villarta Lavras, 16 de dezembro de 2023.

Marco Villarta
22 de mai. de 20251 min de leitura


Symbiosis
Touch is a memory enough flesh subtile ash between fingertips close to lips but very far away always desire cold fire fear to acquire...

Marco Villarta
22 de mai. de 20251 min de leitura
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