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Radiestesista

 

Há nos poços

Líquida refrescância

E no frescor que alivia

Nos perdemos a olhar

Para o que está abaixo

Da superfície da água

Debaixo do invisível fundo

Misterioso mundo

meio imaginado, meio secreto,

Pois que o que está além do poço

Nem poço é mais

Penso, em momentos de vertigem

Se há contrapoços

Se há profundidades

Que nos afogam em vez de saciar

Que nos trazem escuridão diversa

Daquela que nos alimenta

Se tais poços estão dentro ou fora

Dos desertos internos ou externos

Se há poços sem fundo

E onde irão dar

Se nos infinitos porões

Se nos esquecidos desatinos

Se nas impossíveis memórias

Se nas necessárias utopias

Há nos poços

Intermédio de ar

Entre a límpida água

E nossa apressada sede

Há nos poços

Espessos silêncios

Ar de eternidade

Resiliente espera

Intensa esperança

Em confinado mar.

 

Marco Villarta

Oliveira, 18 de janeiro de 2026.

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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