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Metamorfo

Como indomável felino

Cerro lentamente os olhos

E entre dois piscares

Universos se criam

Éons se alternam

Nos sonhos dos deuses

Tenho a ambígua docilidade

Tremeluzente dos pinschers

Tenho às vezes o lento ritmo

Das encantadas preguiças

Outras, sou elétrica fuinha

Quase nunca sou arquiteto

Como os diligentes castores

Pois a urgência das dores

Me faz zumbicantante

Como os mais aflitos insetos

E é certo que entre tantos

Outros animais

Mimetizo o que não sei do humano

Sigo a cósmica música

Penduro-me nos intervalos

Destoo da óbvia harmonia

Sou dissonante

Alma pulsante

Quando respiro

Tenho pressa

E não cessa

Cada uma das dores

Noturnos ou tardios temores

Que disfarço no riso das hienas

E tanta vida plena

Reverbero

Feito soprano cetáceo

Ronronar dos gatos

Estridente abelha

Como todos

Sou centelha

Sou mistério

Vou sendo

Só vivendo.

 

Marco Villarta

Lavras, 31 de janeiro de 2026.

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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