Metamorfo
- Marco Villarta

- há 2 dias
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Como indomável felino
Cerro lentamente os olhos
E entre dois piscares
Universos se criam
Éons se alternam
Nos sonhos dos deuses
Tenho a ambígua docilidade
Tremeluzente dos pinschers
Tenho às vezes o lento ritmo
Das encantadas preguiças
Outras, sou elétrica fuinha
Quase nunca sou arquiteto
Como os diligentes castores
Pois a urgência das dores
Me faz zumbicantante
Como os mais aflitos insetos
E é certo que entre tantos
Outros animais
Mimetizo o que não sei do humano
Sigo a cósmica música
Penduro-me nos intervalos
Destoo da óbvia harmonia
Sou dissonante
Alma pulsante
Quando respiro
Tenho pressa
E não cessa
Cada uma das dores
Noturnos ou tardios temores
Que disfarço no riso das hienas
E tanta vida plena
Reverbero
Feito soprano cetáceo
Ronronar dos gatos
Estridente abelha
Como todos
Sou centelha
Sou mistério
Vou sendo
Só vivendo.
Marco Villarta
Lavras, 31 de janeiro de 2026.



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