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Прошлое*

O passado volta

Faz reserva de hotel

Reivindica horários

Para o café em família

Que quase já não há

Traz pessoas, sensações

Traz dores, fantasmas

O passado não tem rosto

Na indeterminação da face

Há um espelho

Que mostra o tempo

O coração é um pêndulo

Oscila, não bate

Companhia de gênio instável

Vai e vem sem avisar

E quando ousa aparecer

Sempre surpreende

Reascende

Antigas comoções

No fundo, no seu âmago

Escancara nossa finitude

Mascara a nossa aflição

Com  a crueza

Do agora e do aqui

Imperfectivo

Não sabemos

Seu início e seu fim

Como desconhecemos também

Os nossos próprios.

 

Marco Villarta

Lavras, 21 de janeiro de 2026.


*Passado, em russo

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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