СНОВИДЕНИЕ*
- Marco Villarta

- há 2 dias
- 1 min de leitura
Entre o aqui
E o distante lá
Entre os grandes espaços
Do que está dentro
Dos pequenos infinitos
E das exponenciais grandezas
Me perco
Me dissolvo
Me envolvo
Nas lonjuras sem fim
E de mim só posso saber
Os traços que se apagam
Os sonhos que se afagam
Sem já sequer me lembrar
De quantas estradas parti
Das coisas tantas que vi
E se vivi tanto assim
Não tenho certezas
De quantos outros eus
Consigo ainda recordar
Fazer voltar
Ao profundo do coração
Porque o físico órgão
É apenas portal
Para outro
Metáfora de sensações
Metonímia de ininterruptos pulsares
Quasares de vidas
Que de tão intensas
Brilham num último luzir
Propagam-se em derradeira explosão
E se irmanam na destruição
De si e de tanto mais
Ademais...
Nos desertos entre átomos e galáxias
Onde estará, por fim, a paz?
Marco Villarta
Lavras, 31 de janeiro de 2026.
*Snovidênie – em russo, sonho como sequência de imagens e de sensações



Comentários