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СНОВИДЕНИЕ*

Entre o aqui

E o distante lá

Entre os grandes espaços

Do que está dentro

Dos pequenos infinitos

E das exponenciais grandezas

Me perco

Me dissolvo

Me envolvo

Nas lonjuras sem fim

E de mim só posso saber

Os traços que se apagam

Os sonhos que se afagam

Sem já sequer me lembrar

De quantas estradas parti

Das coisas tantas que vi

E se vivi tanto assim

Não tenho certezas

De quantos outros eus

Consigo ainda recordar

Fazer voltar

Ao profundo do coração

Porque o físico órgão

É apenas portal

Para outro

Metáfora de sensações

Metonímia de ininterruptos pulsares

Quasares de vidas

Que de tão intensas

Brilham num último luzir

Propagam-se em derradeira explosão

E se irmanam na destruição

De si e de tanto mais

Ademais...

Nos desertos entre átomos e galáxias

Onde estará, por fim, a paz?

 

Marco Villarta

Lavras, 31 de janeiro de 2026.

*Snovidênie – em russo, sonho como sequência de imagens e de sensações

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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