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Equidistância
Entre o ponto Em que me encontro E o ponto Em que me conto Há a distância De duas vidas Ambas, reais Em uma, invento o que sinto Em outra, intento o mundo Onde penso estar. Marco Villarta Lavras, 13 de maio de 2023

Marco Villarta
4 de jul.1 min de leitura


D´olor
Difícil definir as dores Delicado delimitar Os dados nas mãos do tempo Os eventos, fados, sortilégios Privilégios do estar vivo Convívios no mistério De coexistir com seres diversos Sejam humanos, outros animais Sejam as floras ou minérios Mistérios não tem classificação Difícil definir as dores Porque elas não terminam Nem sequer começam Quando o primeiro respirar Faz habitar a frágil vida Porque chegamos Porque partimos Compartimos, repartimos Entrepartimos Pelo meio das fr

Marco Villarta
4 de jul.1 min de leitura


Exílio
Sou estrangeiro nessa terra da existência Minha diáspora é respirar minha ágora é estar só por entre tantas faces e, mesmo nos enlaces, Me desconhecer Sou estrangeiro Na elocução da palavra sinto o silêncio do que o símbolo sobrepõe sinto o imenso espaço por entre cada pedaço de mim desadivinho o improvável fim Sou estrangeiro nas retorcidas fibras do tempo Aracne reconstrói com engenho as teias nunca prontas do rememorar Sou estrangeiro de tantas memórias do recontar de tant

Marco Villarta
22 de mai. de 20251 min de leitura


Incompletudes 2
Antes de tantos esboçados futuros Diante de rotos, esburacados muros, Aquém de nos descobrirmos frágeis De nos perceber não sermos ilesos Ao fluxo diário do viver cotidiano Às dores do inevitável pulsar dos dias Ao inexorável prosseguir do féretro Às partes que nos mutilam por irem embora Sem hora, sem nenhuma previsão Tardias descobertas já no adiantado ocaso Os vazios não se fazem anunciar A desistência de achar as básicas respostas A identificação com as mais várias mitolo

Marco Villarta
16 de mai. de 20251 min de leitura


Arqueologia 2
Brinquei de esconde-esconde na rua da minha infância me escondi tão bem que nunca mais me achei Marco Villarta Lavras, 3 de julho de 2022

Marco Villarta
3 de jul. de 20221 min de leitura


Meu bem
Poema escrito por Neusa Cardoso Quero você que paz me traz que bem me faz que canta e me encanta Quero você que diz o certo me mostra o incerto que rosas me traz e faz-me ver que há espinhos Quero você para chorar comigo para sorrir comigo para suar comigo Quero você para comer bombom à mesma hora Para pegar chuva, brincar de corrupio Para viver em apuros Quero você bem aqui pertinho pra compartilharmos isto tudo juntinho. Neusa Cardoso Jacareí, 1° de out

Marco Villarta
22 de jun. de 20221 min de leitura


Sonho de Federico Fellini
Talvez encontre o Marcello Num ensaio de orquestra Ou na doce vida romana Ginger espera por Fred Mesmo em branco e preto Às vezes falta inspiração Para o filme seguinte A bitola de película antiga Mas a cantiga não cessa A voz vem, talvez, lá da Lua E é na noite da rua Que Cabíria vê, afinal, Que, como a nave, a esperança também se vai tal qual a Julieta nos seus espíritos, no irreal o circense de um mundo às vezes idílico, outras tantas, bem cruel Ao final da entrevista Fica

Marco Villarta
20 de jun. de 20221 min de leitura


Sonho de Salvador Dalí
Vejo tigre em feroz afã Em pequena abelha Pousando sobre uma romã Minha Gala é Galatéa Russa companheira Às vezes atômica Outras, parte de infinitos espelhos Que revisito ao pintar Meu olhar é excêntrico Fragmento as formas Em mais que três dimensões Os frágeis ovos moles Me servem a um filosófico desjejum São metáfora do fluxo das horas De relógios flácidos Que demarcam tempo nenhum Ilusória persistência da memória Pinto narizes que se projetam Escavadas paisagens De surreal

Marco Villarta
20 de jun. de 20221 min de leitura


Sonho de René Magritte
Sob a condição humana Não posso olhar no espelho E enxergar senão meu ato de olhar A face oculta pela traiçoeira nuca Ou por insidioso capuz Não delimito as bordas Dos quadros que pinto E nunca sei se o quadro Ou a suposta cena É que se prolongam na tela Isso não é um cachimbo Se eu desenho ou digo Não há abrigo para a coisa em si A chuva fria e rala lá fora Não me molha nem me assusta São idênticos homens de preto Chapéu coco e guarda-chuva Que as nuvens oferecem Sou eu que

Marco Villarta
20 de jun. de 20221 min de leitura


Sonho de Fernando Botero
Todas as coisas do mundo No fundo são fartas Oblongas, balofas No traçado oblíquo Das redondas linhas Desafia-se a forma canônica Anônima ironia A elegância das cenas Acena para irreal densidade A verdade está nos olhos Que descobrem somente O que podem conhecer Somos latino-americanos E não prescindimos de ser Olhares aborígenes Para nossas próprias origens Para nosso modo de ver O carnaval dos paradoxos Endosso de inacabado projeto De alegre irreverência De ressignificar do

Marco Villarta
20 de jun. de 20221 min de leitura


Sonho de Tarkovski
Disse certo monge Que podemos mudar o mundo Se repetirmos o mesmo gesto Com a paciência De nada esperar Sou água que flui E que, em câmera lenta, Desafia a gravidade Ficando quase parada no ar Também sou aquele stalker Emblema de profética maldição Guiando desilusões existenciais Para zona proibida e irracional Por detrás dos ícones De um genial e obscuro Rublóv Homônimo do infante Ivan Por que temer o rolo compressor Se só o que pode pará-lo é som De impreciso violino O meni

Marco Villarta
20 de jun. de 20221 min de leitura


Sonho de Gonçalves Dias
Sonho que voltei Pra minha terra E que lá as palmeiras Hospedam os sabiás De onde estou As aves que gorjeiam Nem se comparam às de lá Aqui me faltam os primores De céus, de bosques Que divinais sempre imagino Tudo que deixei em minha terra Acho melhor do que vejo aqui Espero contar para meus netos Sobre tantas belezas Sobre heróis da tribo Tupi Meninos, eu vi! E, do além, tenho certeza Ouvirei ao longe Outros cantos Que ecoam meu exílio Até que criticam minha terra E em outro

Marco Villarta
17 de jun. de 20221 min de leitura


Sonho de Machado de Assis
Nas ruas antigas Do Cosme Velho Espiono as janelas Talvez das almas Vejo Bacamarte Vulgo alienado Simão Ir trancar-se no hospício Passo ao largo de Tio Antão Arcado sobre si Procurando os óculos Me esqueço do emplastro E trombo com sisudo cavalheiro Casmurro e ligeiro Temo que se afogue na ressaca Ou, no alto de uma colina, Perca-se nos olhos negros De uma maliciosa Capitolina Aceno com o chapéu Para o traquina Quincas Mas não sei se de mim O pobre se apercebe Quanto chegar e

Marco Villarta
17 de jun. de 20221 min de leitura


Continente
Nenhum homem é uma ilha Escreveu John Donne Para mim Talvez arquipélago Porque desconhece A vizinhança Do ser Ainda Confinado, sim Isolado ? Ilhas são quase sempre Montanhas Que nascem juntas No leito profundo Das águas. Penso como cada um Não deixa de ser O repositório de Todas as dores A história de todas as vidas A morte de todos os sonhos. A água que separa seus cumes Lágrima Suor Linfa Redoma Que condensa As tensas paixões Pretensas razões De se desfazer Liquefazer Nos s

Marco Villarta
8 de jun. de 20221 min de leitura


Miniá
Desfio o tecido da vida Ao viver cada momento Desafio o tempo Ao saber dos ventos Sabor dos eventos Acontecimentos Sou contraste Contra ponto Antivírgula Antevejo Diz, ponho Senti(n)do O fim Certezas São Inebriado Louco Adicto De estar aqui. Marco Villarta 2017

Marco Villarta
5 de jun. de 20221 min de leitura


Paradoxia
Ser é coexistir Disse o filósofo Na nossa mania De extermínio Fico na cisma Sofisma Se, algum dia, Sequer Viemos a ser Marco Villarta 2017

Marco Villarta
5 de jun. de 20221 min de leitura


Quasijizn
Onde, minha casa ? Onde, meu chão ? Já acreditei nos mapas cronologias certidões Hoje Tempo dêitico De mitos Origens Acredito no calor dos (a)braços Na memória Cheiros Solos Cenários. Sinto falta do que Penso que sou Imagino onde estou Estive Sonho voltar À moda das tartarugas Carrego pesos Cicatrizes Utopias. Marco Villarta 2017

Marco Villarta
5 de jun. de 20221 min de leitura


F(r)actos
Há almas nas almas Fractais de infinitos espíritos E a dor de um É infinita centelha Das dores sentidas Das verdades mentidas Das cores ainda por serem vistas Das mortes sequer suspeitadas No âmago de estrelas Espelhos nos olhos Cansaço nos músculos Angústia de um fim Em cada começo Epílogo em todo princípio Ah... se enxergássemos as faces Que estão por detrás das nossas nucas Nossos nuncas Num castelo quimérico Utopias Fonias Infinitas Indivisas Imprecisas impressões (de)se

Marco Villarta
5 de jun. de 20221 min de leitura


Devir
Em criança, triste, deitava-me na cama Embaixo Mais por medo da claridade dos rostos Que do escuro do chão. Adolescente, inquieto, sentia metamorfoses Cada dia um corpo Cada momento um pedaço arrancado a alma Jovem, perseguia os sonhos, olhos na utopia Poucas certezas, muitas vontades Exaustões, ora os frêmitos, ora todos os prantos Todos intensos, todos devastadora paixão Adulto, encontro comigo Mas certezas ficaram onde Caminhos Num sem tempo avalio-me No cosmos não há reta

Marco Villarta
4 de jun. de 20221 min de leitura


Entretempos
Quais meus limites ? Onde os seus Limites Fronteiras Liames Linhas Círculos Esferas Para onde ? Qualquer lugar É estar aqui É nunca sair de um lá Prisão dentro de um tempo Sem ponteiros nem horas Sem a precisão da máquina Sem a decisão da mão Que dá a corda Que acorda a esfinge Que finge sonhar Quanto a vida não deixa existir Marco Villarta 2017

Marco Villarta
4 de jun. de 20221 min de leitura
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