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Réquiem para um anjo de pelos
Para Pedrinho Vai filhinho Pequeno anjo Menino Pinscher Eterno pequenininho Tremeluzindo ternura Menininho doce Você me ensinou As chaves da vida Na simplicidade De somente estar Desconfio que na discreta sabedoria você foi um dos únicos seres a se embeberem do momento presente. Marco Villarta Lavras/MG, 29 de setembro de 2023.

Marco Villarta
4 de ago.1 min de leitura


Silogismo
Se a divindade é eterna Se a divindade nos sonha Ainda que seja um sonho Teremos deixado algo para sempre Na mente do Ilimitado. Marco Villarta Lavras/MG, 24 de setembro de 2023.

Marco Villarta
4 de ago.1 min de leitura


Condição III
Somos Sísifo Rolando a cíclica pedra Tantos Tântalos Em momentos de sede ou de fome Diante da implacável distância A saciedade foge das mãos E se do pai Prometeu Herdamos a vida e o fogo Veio-nos, também, A águia impiedosa A renovar-nos a raiva Intermitência visceral Da nossa condição Nossos déspotas Feito Midas Perecem famintos Já que o ouro não alimenta Não menos que a turba Sem termos nascido Buscamos os ermos cantos Acalanto em mitológicos seres Desfazeres dos erros human

Marco Villarta
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Enlevo
Desconfio Nos infinitos intervalos De incontáveis universos Não haver outra teia Outra sutil matéria Que pungente doçura Suave candura Do que é ilimitado E não haverá possíveis confins Para refrear o sublime Os olhos dos bebês preguiça O sono dos pequeninos cães O calor do colo materno Na doce paz do existir recente A paixão nos olhos dos enamorados O fascínio de quem descobre A serena despedida de quem se vai E, por entre tantos entrelaces, O calor do que se sabe sem dizer Q

Marco Villarta
4 de ago.1 min de leitura


Espelho
Polida lâmina Não é espada De algum samurai Nem baioneta Em guerra terminal Não é sequer a navalha Com fino fio Limite entre o infinito E sintético real Diminuto espaço Construto atemporal Gume de uma única face Feito impossível moeda Sem anverso E o profundo do poço sem fim Não sabemos Do que é menos que dois Desconhecemos Estonteantemente singular Não porque seja sozinho Já que mesmo o uno É em relação Alterada metade Da outra parte Que não sabemos onde está Pode o que é lí

Marco Villarta
4 de ago.1 min de leitura


Labbra
Pela segunda vez Me encantei Pelo seu sorriso E me deparei Com os olhos próprios De quem está vivo Ainda Felizmente Simplesmente. Marco Villarta São José dos Campos/SP, 24 de fevereiro de 2023.

Marco Villarta
4 de ago.1 min de leitura


Amálgama
De todos que sou Por entre os que fui E para além dos que Ainda hei de ser Há algo de comum Entre tantas formas E me sinto moldado Pelas que você já foi Por aquelas que será E nos rastros do invisível Nos mistérios do intangível Sei que continuaremos Mais do que nos fundir Porque não se funde O que já desde sempre Tem reacontecido Tem ressurgido Tem sido Infinitamente somente um. Marco Villarta Itaguara/MG, 05 de janeiro de 2023

Marco Villarta
4 de ago.1 min de leitura


Lacunas
A(r)dor do que me falta Queima algo mais interno que peito Algo mais antigo que alma Ausências do que não vivi Os idiomas que não falei As frases e sussurros que não pude ouvir E em cada pedaço do que não experimentei O incerto do futuro dói ainda mais Porque há pretéritos que se multiplicam Passados que se traçam linhas paralelas que, ao invés da trivial e humana geometria se entrecruzam em confusos novelos e os gatos divinos apenas miram maliciosa recusa de engruvinhar o qu

Marco Villarta
3 de ago.1 min de leitura


Aer
Às vezes sinto inveja das plantas As plantas que se esgueiram Pelas estruturas metálicas E, esquálidas, ocupam de vida Cada pequena fresta E por mais que eu veja nas plantas Glúon que costura as arestas Serenas fadas que vicejam Nos sítios mais improváveis Artifício que a natura mater Nos incontáveis éons Para voltar-se para o muito além Ou para um aquém do que somos Pois que, meros gomos do todo Efêmeros signos como outros tantos Talvez aqui onde e quando estamos E o quanto

Marco Villarta
5 de jul.1 min de leitura


Aceno
Até o infinito Não há íngreme estrada Nem escarpada montanha Até o infinito Descomeça o fim E destermina a origem Não há primeiras Ou últimas letras O infinito não se escreve Nem se registra É fluxo também do que somos Junto ao ilimitado rio E esse fio ninguém Sabe onde vai dar E se em algum dia ou noite A memória brincar De descobrir fragmentos A única certeza É o eterno movimento O que persiste sendo O que vamos vivendo Entretecendo Infinitos nós. Marco Villarta Lavras/MG

Marco Villarta
5 de jul.1 min de leitura


Urdume
Haverá no avesso dos versos Submersos endereços Onde as almas se encontram? Será a mesma eternidade Do menino que pensa Sempre estar ali O sonho doce da padaria da esquina do velho que sente fluida a contínua vida para além de todos os tempos e de todos os cantos? Serão as perguntas As respostas que já temos Mas nos esquecemos onde guardamos E por isso precisamos Fuçar nos bolsos das roupas No profundo das gavetas Que ainda não arrumamos? Será a existência Um intermitente pul

Marco Villarta
4 de jul.1 min de leitura


Equidistância
Entre o ponto Em que me encontro E o ponto Em que me conto Há a distância De duas vidas Ambas, reais Em uma, invento o que sinto Em outra, intento o mundo Onde penso estar. Marco Villarta Lavras/MG, 13 de maio de 2023

Marco Villarta
4 de jul.1 min de leitura


Escala
As desmedidas dores No geral, são contidas Por serem tão profundas Não transbordam Do sem-fim em que se afundam Quando são expelidas São inaudíveis gritos Para muito além dos físicos ouvidos Dores não se nomeiam E nem há realmente quem as quantifique Rompidos os diques que as contém Ninguém as vê, Ninguém as sabe Entre nós todos Entre cada um Há intangível espelho Há indevassável abismo Entre o que sonhamos E o que perdemos Há as escuras noites E as esquecidas sombras As não

Marco Villarta
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Noosíada
Algumas são calmas Outras são doces Ou fazem-se dóceis Apesar... Tantas são inquietas Quantas discretas Incertas, inseguras Futuras projeções Não sei como se conectam Mas sinto o laço Da que é contraparte Sobre elas não há Ciência que supere a intuição Que é memória em lampejo Reminiscência e antevisão Algumas são calmas O que são as almas O que somos no avesso No verso mais íntimo De nossa criação. Marco Villarta Lavras/MG, 22 de maio de 2023

Marco Villarta
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Fortuna
Para Neusa Cardoso Tenho um secreta deusa Que sempre me vem visitar Às vezes ela é um oráculo Noutras, é puro mistério Quase sempre assume A mesma conhecida forma É comum ser no meio dos sonhos Mas nas horas de meia-luz Entre os irretornáveis dias E as sombrias, escuras noites Sinto ouvir a doçura de sua voz No mais sinto um cheiro Que vem com o impossível vento Quando o ar está parado Sei que minha deusa Não é espectro, nem fantasma No calidoscópio em que habito Sei que é as

Marco Villarta
4 de jul.1 min de leitura


D´olor
Difícil definir as dores Delicado delimitar Os dados nas mãos do tempo Os eventos, fados, sortilégios Privilégios do estar vivo Convívios no mistério De coexistir com seres diversos Sejam humanos, outros animais Sejam as floras ou minérios Mistérios não tem classificação Difícil definir as dores Porque elas não terminam Nem sequer começam Quando o primeiro respirar Faz habitar a frágil vida Porque chegamos Porque partimos Compartimos, repartimos Entrepartimos Pelo meio das fr

Marco Villarta
4 de jul.1 min de leitura


Autofagia
A vida corrói a vida Pela acidez das ausências Pela viuvez das presenças Pela altivez que se esvai Em cada parte arrancada Em cada ser que nos deixa A cada passo, ainda mais Despidos de nossas camadas Corroídos no mais profundo De nossas entranhas Sejam elas as corpóreas vísceras Sejam as míseras tramas da alma Descobrimos que as rugas Não são sequer físicas marcas São sulcos das covas Em que afundamos A cada passo Do efêmero evanescer Do que pensamos ter sido E do próprio te

Marco Villarta
4 de jul.1 min de leitura


Croqui
Mesmo sem método Ou sem nenhum engenho Esbocei sua face Uma vez mais Não antes de conhecer você Quando a bruma das profecias Inquietava o menino tímido Desta vez foi primeiro a memória Que é capaz artífice Dos mais requintados croquis Mas foi também Incerta visão da eternidade No seu sem antes ou sem depois Lá, onde lugar não subsiste, No indefinível da ilimitada expansão Eu nos vi como sendo um E, por um ínfimo tempo de Planck, Fui plenamente feliz. Marco Villarta Lavras/M

Marco Villarta
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Istináia
As verdades vãs As verdades vão As verdades sãs As verdades vêm As verdades são Deidades, artesãs Malfadados ritmos Istmos de solidão Quem saberá Onde as verdades estão? Marco Villarta Lavras/MG, 06 de junho de 2023.

Marco Villarta
4 de jul.1 min de leitura


Súplica
Vem, vem me buscar Minhas mãos já sem força Não têm onde se segurar Sem as suas, não há o que procurar Não há lugar para me deitar O sono não vem ou chega ruim O ar que respiro é tóxico E a vida feneceu no vaso Esquecido no fundo do quintal O mundo ainda pulsa Mas já não tenho meu onde Meu quando Minha razão Meu tudo No infinito do universo Desconheço a imensidão Falta você. Marco Villarta Lavras/MG, 06 de junho de 2023.

Marco Villarta
4 de jul.1 min de leitura
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