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Lacunas
A(r)dor do que me falta Queima algo mais interno que peito Algo mais antigo que alma Ausências do que não vivi Os idiomas que não falei As frases e sussurros que não pude ouvir E em cada pedaço do que não experimentei O incerto do futuro dói ainda mais Porque há pretéritos que se multiplicam Passados que se traçam linhas paralelas que, ao invés da trivial e humana geometria se entrecruzam em confusos novelos e os gatos divinos apenas miram maliciosa recusa de engruvinhar o qu

Marco Villarta
há 4 horas1 min de leitura


Panóptico
Percebo em mim Parte do hálito Dos com quem convivi Entonações de vozes Que soaram com afeto Aos ouvidos Vívidos vislumbres De vultos que vejo Apesar de já E em tais pedaços Do que comparti Me vejo tecido Paciente patchwork Alisado com rugosas mãos Que foram pacientes na costura e que me permitem ver que os fios que unem são tão essenciais labores são insígnias, metonímias dos amores que me costuraram e, ao contrário do monstro de Mary Shelley me vejo como diáfano Gólem pólen

Marco Villarta
15 de abr. de 20231 min de leitura


Mianês
No amor só existem infinitos Diz o leve e profundo poeta Africano Como o vento roçando as faces Sem se incomodar Em não mais respirar O ar que chega E o que fica São cósmicos dançarinos Dos sopros que somos Do efêmero que temos Mas o belo é o instante E a memória impossível De sua extrema E irrecuperável Maneira De ser feliz. Marco Villarta Itaguara/MG, 06 de dezembro de 2022.

Marco Villarta
15 de abr. de 20231 min de leitura


Percussão
Sou dos antigos E no recôndito da juventude Aprendi a datilografar Ciência quase obsoleta Mas que permite Fazer melhor O que não sei performar Na falta de habilidade musical Teclo as letras Como se tocasse abstrato piano E vou plantando Versos Como outra música Ritmo do que sei respirar. Marco Villarta Itaguara/MG, 06 de dezembro de 2022.

Marco Villarta
14 de abr. de 20231 min de leitura


Pitagórica
Na renitência dos versos Na intermitência dos multiversos Quais notas ou pausas Seremos No acorde perfeito maior Na inversão do infinito arranjador? Em intervalos de bilhões de escalas Para além das falas Qual será esse inconcebível som E como soará à metabsoluta Percepção? Marco Villarta Itaguara/MG, 06 de dezembro de 2022

Marco Villarta
14 de abr. de 20231 min de leitura


Lavandeiras
As lavadeiras vestem Diferentes roupas Das que alvejam Nas límpidas águas dos rios Qual fluir de Heráclito Ambas as roupas se misturam Às roupas de suas almas Ciosas de a força vital Empenhar-se em fazer Dos tecidos dos panos O que ao tecido dos anos Acaso aos corpos Vem acontecer. Marco Villarta Itaguara/MG, 06 de dezembro de 2022.

Marco Villarta
14 de abr. de 20231 min de leitura


Supermersão
Impregno-me do viver Me embebedo do existir Quase impossíveis instantes Tênues fronteiras Sublimes maneiras De se compreender para além Dos provisórios nomes Da instintiva fome da carne Do cerne da temporária etapa E o parco vislumbre Alumia a penumbra Das desconhecidas alamedas Dos medos inúteis De se desfazer em pó E só subsistir na memória Dos que ainda estão Prescindo, então, do receio De saltar para o abstrato infinito E fico irmanado a tantas teias E sem estar no absurd

Marco Villarta
14 de abr. de 20231 min de leitura


Contraespelhos
Fomos o que somos Em gomos que sorvemos Eu somos nós Mesmo quando a sós, Nós somos cada eu Em estreita conversação O eu espreita seus avessos Travesso, disfarça-se de um só Retorna ao pó, às vezes de estrelas Às vezes das próprias raízes Se embebe das lágrimas alheias Das fronteiras e cesuras Das escuras costuras Entre partes estrangeiras Com fusões e recusas Rejeições de órgãos estranhos Ao âmago diário do viver Conviver, digerir As próprias e as outras carnes As partes late

Marco Villarta
14 de abr. de 20231 min de leitura


Peregrino
Andava em círculos Não porque desorientado Esferas são perfeitas Pessoas são mais que máscaras Porque trans(e)-(h)i(s)tórias Viajantes Fitava as estrelas Mesmo durante o dia Porque as horas do cosmos Desconhecem os relógios humanos Zombava de ritos Doutrinas seitas Crer É mais que seguir Profetas Os pés calejados Ainda sentiam A dor das pedras solidariedade Não pode ser estranha Entre surgidos Das entranhas Do existir. Marco Villarta Lavras/MG, 27 de abril de 2017.

Marco Villarta
2 de jun. de 20221 min de leitura


Lumen
Pode o amor se contrair e construir nada menos que mundos infinitos? Pode alguém (sobre)viver sem sua contraparte de desmedida dimensão? Pode haver paraísos sem a simples paz dos cães fiéis, dos irrestritos enamorados, dos clãs jungidos pela mútua compaixão? Pode haver começo ou fim se, assim como conheço, há um sentir para além de signos quaisquer? Pode haver explicações para mistérios que ninguém sequer sabe existirem? Pode haver poesia depois de repetidas crueldades que a

Marco Villarta
1 de jun. de 20221 min de leitura
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