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Espelho


Polida lâmina

Não é espada

De algum samurai

Nem baioneta

Em guerra terminal

Não é sequer a navalha

Com fino fio

Limite entre o infinito

E sintético real

Diminuto espaço

Construto atemporal

Gume de uma única face

Feito impossível moeda

Sem anverso

E o profundo do poço sem fim

Não sabemos

Do que é menos que dois

Desconhecemos

Estonteantemente

singular

Não porque seja sozinho

Já que mesmo o uno

É em relação

Alterada metade

Da outra parte

Que não sabemos onde está

Pode o que é líquido

Escoar sem ser por inteiro?

Pode uma vida definir-se

Senão pelo que se sente

Ao perdê-la

Senão pelo que se estremece

Ao vê-la

De outra perspectiva

De onde se mostra inteira

De como faz parte

Do que ainda não se sonhou.

 

Marco Villarta

Lavras/MG, 17 de abril de 2023.

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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