Espelho
- Marco Villarta

- 4 de ago.
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Polida lâmina
Não é espada
De algum samurai
Nem baioneta
Em guerra terminal
Não é sequer a navalha
Com fino fio
Limite entre o infinito
E sintético real
Diminuto espaço
Construto atemporal
Gume de uma única face
Feito impossível moeda
Sem anverso
E o profundo do poço sem fim
Não sabemos
Do que é menos que dois
Desconhecemos
Estonteantemente
singular
Não porque seja sozinho
Já que mesmo o uno
É em relação
Alterada metade
Da outra parte
Que não sabemos onde está
Pode o que é líquido
Escoar sem ser por inteiro?
Pode uma vida definir-se
Senão pelo que se sente
Ao perdê-la
Senão pelo que se estremece
Ao vê-la
De outra perspectiva
De onde se mostra inteira
De como faz parte
Do que ainda não se sonhou.
Marco Villarta
Lavras/MG, 17 de abril de 2023.



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