Lacunas
- Marco Villarta

- há 3 horas
- 1 min de leitura
A(r)dor do que me falta
Queima algo mais interno que peito
Algo mais antigo que alma
Ausências do que não vivi
Os idiomas que não falei
As frases e sussurros que não pude ouvir
E em cada pedaço do que não experimentei
O incerto do futuro dói ainda mais
Porque há pretéritos que se multiplicam
Passados que se traçam
linhas paralelas que, ao invés
da trivial e humana geometria
se entrecruzam em confusos novelos
e os gatos divinos apenas miram
maliciosa recusa de engruvinhar
o que já não tem como se desfazer
viver ou morrer são faces de obscuro espelho
escaravelho em futuro renascer
semente apodrecida no doloroso falecer
e a vida descontínua
descortina em farrapos
as lacunas do que foi de uma vez
do que ainda está por vir
do (im)possível terreno do saber
Como reter as presenças que já não estão
como antever em que buracos colocar os bilhetes
de amor
de dor
(des)pe(r)dida
direção.
Marco Villarta
Lavras/MG, 16 de novembro de 2022.



Comentários