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Enlevo

Desconfio

Nos infinitos intervalos

De incontáveis universos

Não haver outra teia

Outra sutil matéria

Que pungente doçura

Suave candura

Do que é ilimitado

E não haverá possíveis confins

Para refrear o sublime

Os olhos dos bebês preguiça

O sono dos pequeninos cães

O calor do colo materno

Na doce paz do existir recente

A paixão nos olhos dos enamorados

O fascínio de quem descobre

A serena despedida de quem se vai

E, por entre tantos entrelaces,

O calor do que se sabe sem dizer

Que se escuta sem haver

Quaisquer lábios

Quaisquer corpos

E se isso é que o mistério

Espero continuar

Fazendo parte

Nessa arte

Desse sonho.

 

Marco Villarta

Lavras/MG, 10 de maio de 2023.

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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