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Crono(a)gonia
a hora incerta é pra frente e para trás o aqui não é presente é tempo nenhum e se não sabemos o que virá também já não o que se foi memória é dádiva que a musa nos concede de inventar o que pensamos terem sido nossos feitos nesse tear sem direção Aracne se conforma com o ciumento fado dos arrogantes deuses tece, em múltiplo infinito viés e o tempo da tarefa não é fio de seda nem generosa lâ é a areia que escorre inexorável feito fluente rio cio do estertor que imitamos das tr

Marco Villarta
há 2 dias1 min de leitura


Nêmesis
qual substância há no peito sob as fibras pulsantes por sobre as flagrantes marcas velhas arcas arqueológicos baús onde os sonhos e as esperanças mofam, moram juntos mas há no verde e fino astropó regolito de passadas estradas encantadas veredas proibidas para os decididos pés interditas para a fria razão Há, então, nesse cósmico talco alimento para incônscios fungos que, em sua luminescente digestão, ignoram a matéria que consomem a história que transmutam No final, não há e

Marco Villarta
há 2 dias1 min de leitura


Toada
Os ritmos da vida Que nem visitas Bem fora de hora Redobram os galhos Moinhos, redes De fasto, invés Qual vórtices afins Espanam as almas Poeira que trazem Esquecem de si E aí transmutam o Fugaz do êxtase Enganam ainda O que se alter(n)a (n) o imóvel da morte O já (des)enxergar Os passos da dança Se a luz não sabe de si O tempo de tudo o mais Quem somos (os) nós A-linha-v(o)ando além das linhas Das nuvens ou p(l)anos Profanos mistérios Saberes no nada Toada de carro-de-boi es

Marco Villarta
há 2 dias1 min de leitura


Natureza morta
O meio-pão esquecido no prato sobre a mesa A chave de fenda perdida no vão do armário nunca mexido a gaveta entreaberta com seus caóticos pertences a boca entreaberta na memória do outro que tenta adivinhar a palavra não dita a hesitação em dar o passo e o momento capturado na artística foto do movimento suspenso ao mesmo tempo parado e eterno a natureza morta que estica sua espera de que as frutas apodreçam que os olhos se cansem que os pinceis endureçam da tinta que o pint

Marco Villarta
há 2 dias1 min de leitura


Sublime cantiga
Nana nenê Nem tente acordar Sonhe com os sons Dos que ainda respiram Nana nenê Vele com seu sono suave Pelos que morrem Nas guerras dos sádicos Pelos endividados Pela ganância de uns poucos Nana nenê Durma como se Dores não houvesse Mesmo se alvorece Não abre os olhinhos Ainda Talvez o real do mundo Sejam seus sonhos E nós, nas despertas horas, É que alucinamos Nos pesadelos sem fim Nana nenê Imita o sublime sono dos cães Imita a preguiça dos gatos Quando seguros se sentem Na

Marco Villarta
há 2 dias1 min de leitura


Pra que mais?
Para Antonio Luiz Assunção – in memoriam As pedras são metáforas Dos cotidianos problemas Morfemas de duras sintaxes Gerativas paralaxes Pedras são metonímias de coisas maiores Planetas, galáxias, universos inteiros Pedras são hipérboles de diminutos regolitos Do talco de estrelas de que somos forjados Pois antes do barro e do sopro Há o fino pó do colossal estertor Frio sarcófago do que já foi tanta luz De cada grande estrela que se reduz A quase invisível cósmico glitter Ma

Marco Villarta
há 2 dias1 min de leitura


Избыток*
Foi quando fitei profundamente O infinito dos seus olhos A íris com seu escarpado relevo Desafio de insensato allpinista A pupila em seu abismo sem fim Interminável mergulho Sem escafandro Para além dos submarinos Horizonte dos eventos Mistério singular Foi então que vi Como definitiva experiência A doçura da alma As incertas dores E as tantas faltas Os olhos não são espelhos Metonímias Hipérboles Das vidas muitas Em que me perdi E me encontrei em você. Marco Villarta Lavra

Marco Villarta
há 2 dias1 min de leitura


De amore
O amor é mosaico completo de incompletudes o que emoldura a paisagem o cimento por entre os vãos O amor é perfeição delicado arremate de todas as imperfeições O amor é absurdo porque contraria as razões Não se explica não se replica em outros peitos como saber do fascínio como repetir em outras almas tanto encantamento Não sabemos o que o amor é amor não é existe em resiliente gratuidade ultrapassa dimensões qualquer que seja a eternidade é sua substância mais que infinito e,

Marco Villarta
há 2 dias1 min de leitura


Testamento 3
Envelheço E a dureza fica amena Mais por circunstância Aprendo a arte da espera Respeito a distância das feras Ladeio as trilhas das formigas Cada único lugar Cada estar Desconfio do ser Da estável permanência Sou efêmera presença Sombra fugaz que se esvai Como névoa Ante o primeiro raio de sol Sou apenas E minhas pequenas marcas Dos pés no chão Talvez virem longevos fósseis Quem sabe seja cadinho Das águas de chuva Saciando a sede De futuros bichinhos Destino Não saber dos o

Marco Villarta
há 2 dias1 min de leitura


Metamorfo
Como indomável felino Cerro lentamente os olhos E entre dois piscares Universos se criam Éons se alternam Nos sonhos dos deuses Tenho a ambígua docilidade Tremeluzente dos pinschers Tenho às vezes o lento ritmo Das encantadas preguiças Outras, sou elétrica fuinha Quase nunca sou arquiteto Como os diligentes castores Pois a urgência das dores Me faz zumbicantante Como os mais aflitos insetos E é certo que entre tantos Outros animais Mimetizo o que não sei do humano Sigo a cósm

Marco Villarta
há 2 dias1 min de leitura


СНОВИДЕНИЕ*
Entre o aqui E o distante lá Entre os grandes espaços Do que está dentro Dos pequenos infinitos E das exponenciais grandezas Me perco Me dissolvo Me envolvo Nas lonjuras sem fim E de mim só posso saber Os traços que se apagam Os sonhos que se afagam Sem já sequer me lembrar De quantas estradas parti Das coisas tantas que vi E se vivi tanto assim Não tenho certezas De quantos outros eus Consigo ainda recordar Fazer voltar Ao profundo do coração Porque o físico órgão É apenas p

Marco Villarta
há 2 dias1 min de leitura


Agenda
Dar-se a calma da lenta espera Porque nesta incerta esfera Resta à alma evitar a tormenta Fluir-se no ilusório tempo No que se enfrenta Marco Villarta Lavras, 23 de janeiro de 2026.

Marco Villarta
há 2 dias1 min de leitura


Прошлое*
O passado volta Faz reserva de hotel Reivindica horários Para o café em família Que quase já não há Traz pessoas, sensações Traz dores, fantasmas O passado não tem rosto Na indeterminação da face Há um espelho Que mostra o tempo O coração é um pêndulo Oscila, não bate Companhia de gênio instável Vai e vem sem avisar E quando ousa aparecer Sempre surpreende Reascende Antigas comoções No fundo, no seu âmago Escancara nossa finitude Mascara a nossa aflição Com a crueza Do agora

Marco Villarta
há 2 dias1 min de leitura


Radiestesista
Há nos poços Líquida refrescância E no frescor que alivia Nos perdemos a olhar Para o que está abaixo Da superfície da água Debaixo do invisível fundo Misterioso mundo meio imaginado, meio secreto, Pois que o que está além do poço Nem poço é mais Penso, em momentos de vertigem Se há contrapoços Se há profundidades Que nos afogam em vez de saciar Que nos trazem escuridão diversa Daquela que nos alimenta Se tais poços estão dentro ou fora Dos desertos internos ou externos Se há

Marco Villarta
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Circulações
as voltas voam velejam ensejam novas vidas mas as voltas envoltas revoltas voláteis memórias reminiscências proibidos retornos porém... ainda bem que as voltas revolvem des-resolvem antigos nós retransformam finíssimos grãos de nossos pós o talco que maquia a máscara falseia o pancake que é única face que se olhasse no turbilhão de espelhos veria seus avessos seus outros começos seus proféticos finais as voltas são ciclos périplos espirais desníveis que irrompem do infinito c

Marco Villarta
há 2 dias1 min de leitura


Elipses
De que misterioso sol Celebro o ciclo De que camada da espiral Espiono o que fui E o que serei De qual pele me revisto Nessa presente existência De qual animal tenho os olhos Os pelos, asas ou garras Ou serei as rugosas folhas Os séculos que arredondam Os transparentes seixos Na água que flui sem pressa Sem começo, nem fim Os abstratos ponteiros A paciente clepsidra Ou o resignado relógio de sol Em qual intervalo Em que intermitência Ouso existir? E que outros degraus de vida

Marco Villarta
há 2 dias1 min de leitura


Espelhonauta
Há os que na Terra procuram por rios finos cursos d´água ou caudalosas correntes sementes de mares de tempestuosos oceanos Eu, mais por sina que por escolha coleciono espelhos alguns nas paredes da casa outros no recôndito das muitas almas do que sou, do que fui quem sabe do que serei contrario o senso comum espelhos não têm superfícies nem binárias efígies são poços de luz abismos de escuridão porque o que os ilumina são os olhos os meu próprios os de quem me fita as memória

Marco Villarta
há 2 dias1 min de leitura


Epifania
Em muitos ontens me vêm perguntando por que a poesia me arrebata Nem bem era esse o termo que ouço Mas o que posso dizer? Me arrebata me consome me encanta E sequer a defino poesia talvez tal qual o tempo Como dizia Agostinho de Hipona sei o que é mas se me perguntam... sinto a poesia em meus poros em meus secretos porões em fissuras da alma em desníveis de tempo em descontínuos espaços é seiva que haure no peito quando a dor de viver extrapola o inútil resistir poesia é o qu

Marco Villarta
há 2 dias1 min de leitura


Justificativa
Talvez me culpem pela tristeza Por tanto embate existencial Mas viver é perigoso Complexo ofício De delicada dissecação Não sei se a alma tem fibras Músculos, nervos ou tendões Perdoem-me Sou sinestésico E feito personagens de Poe De sensibilidade extremada Embriagado de intensidades Corroído pelos agoras Ágoras de minha interna multidão Pathos de inquieta aflição E o pior Sou o que vejo E o que é visto E já não sei Na superfície do espelho Quem olha para quem Marco Villart

Marco Villarta
há 2 dias1 min de leitura


Sorôco somos nós
Para Lô Borges e para os anônimos desvozeados de seus trens Trem por sobre os trilhos De outros trens São vagões escuros Vão de muro em muro Transita de exclusão em exclusão O trem que passa Despoja dos trens da vida Humanos empobrecidos De sua própria condição Tornam-se translúcidos Invisíveis vestígios Algo menos que pó Porque nunca retornarão Não têm origem, nem destino São ratos que morrem no caminho Expulsos de cada casa Da minha, da sua, de todos (os) nós São corpos v

Marco Villarta
há 2 dias1 min de leitura
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