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Retorno
Que falta faz Quando falham As presenças E é convalescença Da alma órfã Des(re)conhecer O diáfano Desaprender Sua unidade E seguir rasgada Partida Olhar no espelho E ver-se meia vida Decaindo Decantando-se Ruindo Enfim Ao inexorável pó. Marco Villarta Lavras, 26 de junho de 2023.

Marco Villarta
há 2 dias1 min de leitura


Astrometria
Aprendi com os físicos Não ser a luz Nem onda, Nem partícula. E a sombra Ouso perguntar E cada dicotomia Que nos empareda Nas ilusórias certezas Nem onda, nem onde Nem partícula, Nem parte alguma Quisera Em minha quimera Ser o bóson mais nobre O que faz o nada vibrar Em vida pulsante Quisera ser obscura matéria Do sonho do Deus incognoscível Do impossível absoluto Para nosso ínfimo intelecto Quisera, no meu projeto, Ser Prometeu ressurrecto Ser ponto numa esfera infinita Gérm

Marco Villarta
há 2 dias1 min de leitura


УТОПИЯ
No sonho a criança doente Pisa o úmido chão Os velhos encarangados Dançam sem pressa Os mortos não se ausentam E a ninguém falta o pão A vida flui como deve E, leve, contorna Os pequenos conflitos As brisas são mornas No sonho se desconhecem Os aflitos, os sem paz E a luz que permeia É de fora e é de dentro As feras são mansas O remanso é tanto acalento Que ninguém teme morrer. Marco Villarta Lavras, 11 de junho de 2023.

Marco Villarta
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Rush
As noites transcorrem Correm Não socorrem a alma incompleta Marco Villarta Lavras, 11 de junho de 2023.

Marco Villarta
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Metatopia
Que saudades tem minha alma do sem-tempo,do espaço algum do fluir sem momento no infinito do ser um fundindo-se na tépida brisa liquefazendo-se feito rio que não precisa seu leito desafio de ser volátil flama sem temperatura ou ponto de fusão difusão dos sonhos não lembrados alambrados entre incomunicáveis universos diversos mundos por entre os fragmentos dos muitos que somos dos assomos de luz ou de escassa claridade clara cidade clarividente sítio para além dos aléns resili

Marco Villarta
há 2 dias1 min de leitura


Línea
A linha que amarra Também costura Nessa cesura Se, pararela, Trilha, nos trilhos Recebe locomotriz Se fronteira É sempre triz Limite, limiar É traçado Entre a cumeeira E o porão Sempre bruma Porosa divisória Morte e vida Sonho e dia Se, ao passar pela agulha É milagre atravessar O fundo O infinitamente pequeno É varal das vestes, Seja de pausas e sons O mistério é o que a estica São, no mínimo, dois Em cada ponta O que conta O que monta Do ponto O entretecer. Marco Villarta

Marco Villarta
há 2 dias1 min de leitura


Metron
Entre a dor e a perda decorre incerto tempo ocorre imprecisa medida porque a vida não precisa (d)o que é avesso e o verso do que se sofre não se esquadrinha nem em linha nem em retas é parabólico desvio por um fio irregular de água de cardado algodão mas se perda parece distante longínqua mesmo sendo recente ou se parece ser ainda agora mesmo sendo antiga é coerente com a desmedida aflição com a solidão que não se finda com a berlinda tênue do seguir vivendo de no fluxo do ri

Marco Villarta
há 2 dias1 min de leitura


Sublimidade
Noite passada sonhei com o paraíso e era mesmo aqui e no cenário que vivi revi orquídeas samambaias e avencas suculentas e ráfis ouvi a sincopada melodia dos coloridos pica-paus vi o céu salpicado de esfuziantes joaninhas me comovi com o defensivo sorriso dos dóceis e doces saruês ri do alegre nervosismo dos pinschers inquietos senti o astuto e independente carinho dos preguiçosos gatos havia humanos também poucos, é verdade mas eram todos pacíficos pacientes e atentos pacífi

Marco Villarta
há 2 dias1 min de leitura


Esgarcez
Em que livros há a geographia das ausências? Em que Atlas os mapas do que já não há Ou do que nunca esteve Com que réguas mensurar a natureza da dor Não se mede em léguas, anos-luz, Nem na extensão dos poemas Apenas dói Apenas amalgamamos Do fluir do estar e não estar Do já-não-ser e do ainda-não-existir Fantasmática pantomima São simulacros sobre simulacros Símbolo é algo no lugar de outro Outra coisa, aliena pessoa Alheio acontecer Distópico território social Onde se amarra

Marco Villarta
há 2 dias1 min de leitura


Cosmogonia
Há por entre cada pedaço de nós distâncias infinitas mesmo que em diminutas escalas Portanto, não é estranho que sejamos ausências pontilhadas pelo pulsar de pouca solidez Se há dores que permanecem fortes Se os vazios se mantém profundos é porque entre os tantos mundos as mortes parecem mais do que são é difícil lidar com os fluidos contornos ectoplasmáticos, sutis fios de cósmica seda que as aracnes do tempo tecem sem pressa peça por peça em infinito tear e nos ínfimos pont

Marco Villarta
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Silêncio
A fala que falta Na flauta de Pan Pandora que levanta Tanta dor de existir A falta que fala Cala os mais belos sons Tons de puído sépia Pias de sacrílega iniciação Ação de resignado andor Dor de caminhar tão só Só desde os mais antigos inícios Indícios do esquecer A desaquecer a angústia da alma Calma e frágil derrota Rota que traça a rota Dos medos mais primários Relicários dos nossos Próprios ossos Em que poço caíram A voz que agora silencia E sentencia a minha solidão. M

Marco Villarta
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Infinitos
Infinito são dessaberes sem fim Assim meio mal ajambrados São as fortes gotas de chuva nos telhados Quando parece que não vai parar É o medo do escorrer dos mistérios Quando o frio mais frio Não é o das juntas que doem Quando o tirintar dos ossos Já não se pode mais ouvir Infinito é o todo dentro do todo Sem jamais terminar Infinito são os sonhos deslembrados É a memória dos toques no alheio corpo Que estremecem nossas razões de existir Marco Villarta Lavras, 26 de junho de

Marco Villarta
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Velocidade
Não é nada. Isso passa As alheias dores Na egocêntrica pressa De sorrir para a próxima selfie Não é nada. Isso passa Os laços desfeitos As rasas interações Não é nada. Isso passa O compromisso para com os outros A responsabilidade pelas decisões Não é nada. Isso passa A autocrítica natimorta A consciência de si Não é nada. Isso passa A sádica destruição dos inocentes bichinhos A fúria que assassina os vegetais A soberba de falar dos extermínios Não é nada. Isso passa. É só a

Marco Villarta
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Prisma
De que cor É o cinza das tardes tristes Ou as cinzas da alma Que se consumiu De que cor É a escuridão das noites frias E a visão do poço profundo De que cor É o vermelho do sangue perdido Nas periféricas vielas Nas imprecisas trilhas Dos desamparados De que cor É o azul dos corpos sem vida Ou do horizonte que não se alcança De que cor É o furta-cor dos crepúsculos sombrios E sua angústia dos projetos desfeitos Das devastadoras perdas Dos irremediáveis finais. De que cores são

Marco Villarta
há 2 dias1 min de leitura


Roleta
Quero novamente Namorar com seus sonhos Flertar com suas memórias Me encantar com seus olhares Arrastar-me pelo intervalo Dos seus passos Quero sorver o ar dos seus suspiros Me embebedar nos seus sorrisos Aterrissar nos cabelos lisos Segurar as mãos suaves Quero novamente Apaixonar-me pelas incertas eras Em que fomos não sei nem o quê Mas sei que fomos um Nos elos da corrente sem fim Sei que somos esfera Indivisível, eterna espera Alma Quero novamente a calma De saber-nos jun

Marco Villarta
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Indecisão
que faço eu com a falta o vazio sombreia a alma a calma sombra congela a vida, fustigada planta tanta coisa adiada tento cuidar de mim por você cada dia junto os fragmentos sentimentos memórias no rodamunho o mundo se sobrepõe a força vital se decompõe e o ser perplexo vira névoa esfacela-se feito areia e desnomeia o que já não há o que faço com a falta o que já não está. Marco Villarta Oliveira, 14 de junho de 2026

Marco Villarta
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Inespelho
A inesperada face Surge da escura noite O inesperado olhar Emerge do vazio sem fim A vida sendo vida O carinho sutil A extrema dedicação Inesperado afeto Que se projeta dos redemoinhos Que poreja das fluidas correntes Pois o rio que escoa É, antes, mina que brota Aguda nota que toca O coração despedaçado E nesse inesperado encontro Há suave beleza Há profético destino As histórias de dores Perdas e mortes O inesperado é uma vida Encontrar(se n) a outra Inesperada dádiva Grato

Marco Villarta
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Aquarela
Feito um anti Dorian Gray Deixo pedaços de mim Pelos lugares em que passo Pelos tempos que percorro Pelas pessoas que me afetam Já não sei se sou Humano ou espécie de planta Espalhando esporos Distribuindo sementes de mim E nas pessoas que perco Devolvo a elas Seja em que universo for Os pedaços de si Que me fizeram ser Então me conforto Trocamos pedaços Feito quadro de Magritte Nos desenhamos Uns aos outros E quando fica rota a tela E empalidecem as cores Nossos pedaços vão

Marco Villarta
há 2 dias1 min de leitura


Thaumagramática
Quando sofro, escrevo Não sei se quando A alegria briseia qual silencioso sussurro também transcrevo impossíveis símbolos Platão estava errado Escrever não é falsear Pois ele mesmo sabia Que tudo é Quando escrevo, sofro Como se Tântalo Estivesse no rio de Heráclito E, sedento, ao se banhar Não pudesse beber Das águas do tempo Do transparente néctar Da misteriosa vida Nas turbulentas águas Vejo o estilhaçado reflexo E nele os círculos do mundo Encadeiam-se em irônica Contradiç

Marco Villarta
há 2 dias1 min de leitura


Ciclos
Para minha mãe Vejo os velhos velharem Tais como as crianças Que mareiam Espraiando-se em devir indefinido Há um quê de inocência Recuperado paraíso Para quem já se esquece Dos frutos que comeu A divindade brinca De bolhas de sabão Esferas perfeitas De inusitada redenção Os que se esquecem Veem todas as árvores Como inéditas criações Diferentes, mas iguais Em sua sublime aparição E, imagino No sem palavra desse retornar Vislumbram a ilimitada face Incapaz de qualquer maldição

Marco Villarta
há 2 dias1 min de leitura
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