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Equidistância
Entre o ponto Em que me encontro E o ponto Em que me conto Há a distância De duas vidas Ambas, reais Em uma, invento o que sinto Em outra, intento o mundo Onde penso estar. Marco Villarta Lavras, 13 de maio de 2023

Marco Villarta
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Escala
As desmedidas dores No geral, são contidas Por serem tão profundas Não transbordam Do sem-fim em que se afundam Quando são expelidas São inaudíveis gritos Para muito além dos físicos ouvidos Dores não se nomeiam E nem há realmente quem as quantifique Rompidos os diques que as contém Ninguém as vê, Ninguém as sabe Entre nós todos Entre cada um Há intangível espelho Há indevassável abismo Entre o que sonhamos E o que perdemos Há as escuras noites E as esquecidas sombras As não

Marco Villarta
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Noosíada
Algumas são calmas Outras são doces Ou fazem-se dóceis Apesar... Tantas são inquietas Quantas discretas Incertas, inseguras Futuras projeções Não sei como se conectam Mas sinto o laço Da que é contraparte Sobre elas não há Ciência que supere a intuição Que é memória em lampejo Reminiscência e antevisão Algumas são calmas O que são as almas O que somos no avesso No verso mais íntimo De nossa criação. Marco Villarta Lavras, 22 de maio de 2023

Marco Villarta
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Fortuna
Tenho um secreta deusa Que sempre me vem visitar Às vezes ela é um oráculo Noutras, é puro mistério Quase sempre assume A mesma conhecida forma É comum ser no meio dos sonhos Mas nas horas de meia-luz Entre os irretornáveis dias E as sombrias, escuras noites Sinto ouvir a doçura de sua voz No mais sinto um cheiro Que vem com o impossível vento Quando o ar está parado Sei que minha deusa Não é espectro, nem fantasma No calidoscópio em que habito Sei que é as mágicas formas As

Marco Villarta
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D´olor
Difícil definir as dores Delicado delimitar Os dados nas mãos do tempo Os eventos, fados, sortilégios Privilégios do estar vivo Convívios no mistério De coexistir com seres diversos Sejam humanos, outros animais Sejam as floras ou minérios Mistérios não tem classificação Difícil definir as dores Porque elas não terminam Nem sequer começam Quando o primeiro respirar Faz habitar a frágil vida Porque chegamos Porque partimos Compartimos, repartimos Entrepartimos Pelo meio das fr

Marco Villarta
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Autofagia
A vida corrói a vida Pela acidez das ausências Pela viuvez das presenças Pela altivez que se esvai Em cada parte arrancada Em cada ser que nos deixa A cada passo, ainda mais Despidos de nossas camadas Corroídos no mais profundo De nossas entranhas Sejam elas as corpóreas vísceras Sejam as míseras tramas da alma Descobrimos que as rugas Não são sequer físicas marcas São sulcos das covas Em que afundamos A cada passo Do efêmero evanescer Do que pensamos ter sido E do próprio te

Marco Villarta
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Croqui
Mesmo sem método Ou sem nenhum engenho Esbocei sua face Uma vez mais Não antes de conhecer você Quando a bruma das profecias Inquietava o menino tímido Desta vez foi primeiro a memória Que é capaz artífice Dos mais requintados croquis Mas foi também Incerta visão da eternidade No seu sem antes ou sem depois Lá, onde lugar não subsiste, No indefinível da ilimitada expansão Eu nos vi como sendo um E, por um ínfimo tempo de Planck, Fui plenamente feliz. Marco Villarta Lavras,

Marco Villarta
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Istnáia
As verdades vãs As verdades vão As verdades sãs As verdades vêm As verdades são Deidades, artesãs Malfadados ritmos Istmos de solidão Quem saberá Onde as verdades estão? Marco Villarta Lavras, 06 de junho de 2023.

Marco Villarta
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Súplica
Vem, vem me buscar Minhas mãos já sem força Não têm onde se segurar Sem as suas, não há o que procurar Não há lugar para me deitar O sono não vem ou chega ruim O ar que respiro é tóxico E a vida feneceu no vaso Esquecido no fundo do quintal O mundo ainda pulsa Mas já não tenho meu onde Meu quando Minha razão Meu tudo No infinito do universo Desconheço a imensidão Falta você. Marco Villarta Lavras, 06 de junho de 2023.

Marco Villarta
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ohlepsE
Atrás do versos Através, submersos da fé dos que duvidam da paciência dos que se inquietam arquiteta do todo, fagulha que mergulha no mais profundo dos muitos mundos que desenha e desdenha do sectário técnico do burocrático erário do viver em desrazão sem princípios éticos sem compromissos morais E nos espelhos de controversos signos desconexos, dispersos pensamentos e desejos ensejos da Grande Arte parte que nos é garantida no mistério das coisas que as certezas perfura que

Marco Villarta
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Glossário
Dexistir é deixar de existir Desistir do devir Falecer é falhar Na falência do que pulsa Na latência do que brilha Idade é movimento Ida sem volta, Impotente revolta Diante do que já não é A morte só faz sentido Quando no sintagma Quando recebe o artigo Pois que é amor desmembrado E o ser amado que se incorpora Em aparência de pronome em desuso E a rima é forte com todas as dores Com todas as mutilações Dos órgãos da alma Da calma que já não mais será Dos mundos que perderam

Marco Villarta
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Retorno
Que falta faz Quando falham As presenças E é convalescença Da alma órfã Des(re)conhecer O diáfano Desaprender Sua unidade E seguir rasgada Partida Olhar no espelho E ver-se meia vida Decaindo Decantando-se Ruindo Enfim Ao inexorável pó. Marco Villarta Lavras, 26 de junho de 2023.

Marco Villarta
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Astrometria
Aprendi com os físicos Não ser a luz Nem onda, Nem partícula. E a sombra Ouso perguntar E cada dicotomia Que nos empareda Nas ilusórias certezas Nem onda, nem onde Nem partícula, Nem parte alguma Quisera Em minha quimera Ser o bóson mais nobre O que faz o nada vibrar Em vida pulsante Quisera ser obscura matéria Do sonho do Deus incognoscível Do impossível absoluto Para nosso ínfimo intelecto Quisera, no meu projeto, Ser Prometeu ressurrecto Ser ponto numa esfera infinita Gérm

Marco Villarta
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УТОПИЯ
No sonho a criança doente Pisa o úmido chão Os velhos encarangados Dançam sem pressa Os mortos não se ausentam E a ninguém falta o pão A vida flui como deve E, leve, contorna Os pequenos conflitos As brisas são mornas No sonho se desconhecem Os aflitos, os sem paz E a luz que permeia É de fora e é de dentro As feras são mansas O remanso é tanto acalento Que ninguém teme morrer. Marco Villarta Lavras, 11 de junho de 2023.

Marco Villarta
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Rush
As noites transcorrem Correm Não socorrem a alma incompleta Marco Villarta Lavras, 11 de junho de 2023.

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Metatopia
Que saudades tem minha alma do sem-tempo,do espaço algum do fluir sem momento no infinito do ser um fundindo-se na tépida brisa liquefazendo-se feito rio que não precisa seu leito desafio de ser volátil flama sem temperatura ou ponto de fusão difusão dos sonhos não lembrados alambrados entre incomunicáveis universos diversos mundos por entre os fragmentos dos muitos que somos dos assomos de luz ou de escassa claridade clara cidade clarividente sítio para além dos aléns resili

Marco Villarta
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Línea
A linha que amarra Também costura Nessa cesura Se, pararela, Trilha, nos trilhos Recebe locomotriz Se fronteira É sempre triz Limite, limiar É traçado Entre a cumeeira E o porão Sempre bruma Porosa divisória Morte e vida Sonho e dia Se, ao passar pela agulha É milagre atravessar O fundo O infinitamente pequeno É varal das vestes, Seja de pausas e sons O mistério é o que a estica São, no mínimo, dois Em cada ponta O que conta O que monta Do ponto O entretecer. Marco Villarta

Marco Villarta
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Metron
Entre a dor e a perda decorre incerto tempo ocorre imprecisa medida porque a vida não precisa (d)o que é avesso e o verso do que se sofre não se esquadrinha nem em linha nem em retas é parabólico desvio por um fio irregular de água de cardado algodão mas se perda parece distante longínqua mesmo sendo recente ou se parece ser ainda agora mesmo sendo antiga é coerente com a desmedida aflição com a solidão que não se finda com a berlinda tênue do seguir vivendo de no fluxo do ri

Marco Villarta
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Sublimidade
Noite passada sonhei com o paraíso e era mesmo aqui e no cenário que vivi revi orquídeas samambaias e avencas suculentas e ráfis ouvi a sincopada melodia dos coloridos pica-paus vi o céu salpicado de esfuziantes joaninhas me comovi com o defensivo sorriso dos dóceis e doces saruês ri do alegre nervosismo dos pinschers inquietos senti o astuto e independente carinho dos preguiçosos gatos havia humanos também poucos, é verdade mas eram todos pacíficos pacientes e atentos pacífi

Marco Villarta
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Esgarcez
Em que livros há a geographia das ausências? Em que Atlas os mapas do que já não há Ou do que nunca esteve Com que réguas mensurar a natureza da dor Não se mede em léguas, anos-luz, Nem na extensão dos poemas Apenas dói Apenas amalgamamos Do fluir do estar e não estar Do já-não-ser e do ainda-não-existir Fantasmática pantomima São simulacros sobre simulacros Símbolo é algo no lugar de outro Outra coisa, aliena pessoa Alheio acontecer Distópico território social Onde se amarra

Marco Villarta
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