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Astrometria

Aprendi com os físicos

Não ser a luz

Nem onda,

Nem partícula.

E a sombra

Ouso perguntar

E cada dicotomia

Que nos empareda

Nas ilusórias certezas

Nem onda, nem onde

Nem partícula,

Nem parte alguma

Quisera

Em minha quimera

Ser o bóson mais nobre

O que faz o nada vibrar

Em vida pulsante

Quisera ser obscura matéria

Do sonho do Deus incognoscível

Do impossível absoluto

Para nosso ínfimo intelecto

Quisera, no meu projeto,

Ser Prometeu ressurrecto

Ser ponto numa esfera infinita

Gérmen de seus opostos

Anteparos de pontes

Seja entre as cordas mais ínfimas

Seja de multiversos sem fim

Separo, entre as fotos que perdi

A que nunca foi vista

Aquela que nunca exibi

A imagem manchada de luz

A escura efígie da pouca iluminação

Queria, numa moldura,

O primeiro chão que pisei

Engarrafar o ar que primeiro respirei

Congelar o minuto em que fui mais feliz

Deter a mão que me tocou

Com a mais sublime leveza

E, talvez, mais do que tudo,

Acordar dessas vãs utopias

E sorver sereno

O fluir do imparável rio

O fio que se carda

Torcendo-se a fibra do que já foi

Para trançar a tessitura

Do futuro p(l)ano

Para revestir o indiferente fugaz

Do tempo.

 

Marco Villarta

Lavras, 26 de junho de 2023.

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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