Astrometria
- Marco Villarta

- há 2 dias
- 1 min de leitura
Aprendi com os físicos
Não ser a luz
Nem onda,
Nem partícula.
E a sombra
Ouso perguntar
E cada dicotomia
Que nos empareda
Nas ilusórias certezas
Nem onda, nem onde
Nem partícula,
Nem parte alguma
Quisera
Em minha quimera
Ser o bóson mais nobre
O que faz o nada vibrar
Em vida pulsante
Quisera ser obscura matéria
Do sonho do Deus incognoscível
Do impossível absoluto
Para nosso ínfimo intelecto
Quisera, no meu projeto,
Ser Prometeu ressurrecto
Ser ponto numa esfera infinita
Gérmen de seus opostos
Anteparos de pontes
Seja entre as cordas mais ínfimas
Seja de multiversos sem fim
Separo, entre as fotos que perdi
A que nunca foi vista
Aquela que nunca exibi
A imagem manchada de luz
A escura efígie da pouca iluminação
Queria, numa moldura,
O primeiro chão que pisei
Engarrafar o ar que primeiro respirei
Congelar o minuto em que fui mais feliz
Deter a mão que me tocou
Com a mais sublime leveza
E, talvez, mais do que tudo,
Acordar dessas vãs utopias
E sorver sereno
O fluir do imparável rio
O fio que se carda
Torcendo-se a fibra do que já foi
Para trançar a tessitura
Do futuro p(l)ano
Para revestir o indiferente fugaz
Do tempo.
Marco Villarta
Lavras, 26 de junho de 2023.



Comentários