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Metatopia

Que saudades tem minha alma

do sem-tempo,do espaço algum

do fluir sem momento

no infinito do ser um

fundindo-se na tépida brisa

liquefazendo-se feito rio

que não precisa seu leito

desafio de ser volátil flama

sem temperatura ou ponto

de fusão

difusão dos sonhos não lembrados

alambrados entre incomunicáveis

universos

diversos mundos por entre os fragmentos

dos muitos que somos

dos assomos de luz ou de escassa

claridade

clara cidade

clarividente sítio para além dos aléns

resilientes vestígios das muitas máscaras

que de ora em éon nos revestimos

mesmo quando desistimos

de saber a última versão

edição que se esgotou

pletora que de excessivo ímpeto

deixa o físico peito para rarear

no etéreo sopro, na alma aérea

na terra sem nenhum chão

nas alturas sem dimensão

Pois que não há medidas

nessa estrada sem contornos

há, sim, decorrer dos mistérios muitos

há o viver de inquietos paradoxos

de sermos um, de sermos múltiplos

raízes e expoentes

fractais e sementes

so(lene)mente

entes

lentes de olhar por todos os ângulos

sem definir-se por nenhum.

 

Marco Villarta

Lavras, 08 de julho de 2023.

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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