Metatopia
- Marco Villarta

- há 2 dias
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Que saudades tem minha alma
do sem-tempo,do espaço algum
do fluir sem momento
no infinito do ser um
fundindo-se na tépida brisa
liquefazendo-se feito rio
que não precisa seu leito
desafio de ser volátil flama
sem temperatura ou ponto
de fusão
difusão dos sonhos não lembrados
alambrados entre incomunicáveis
universos
diversos mundos por entre os fragmentos
dos muitos que somos
dos assomos de luz ou de escassa
claridade
clara cidade
clarividente sítio para além dos aléns
resilientes vestígios das muitas máscaras
que de ora em éon nos revestimos
mesmo quando desistimos
de saber a última versão
edição que se esgotou
pletora que de excessivo ímpeto
deixa o físico peito para rarear
no etéreo sopro, na alma aérea
na terra sem nenhum chão
nas alturas sem dimensão
Pois que não há medidas
nessa estrada sem contornos
há, sim, decorrer dos mistérios muitos
há o viver de inquietos paradoxos
de sermos um, de sermos múltiplos
raízes e expoentes
fractais e sementes
so(lene)mente
entes
lentes de olhar por todos os ângulos
sem definir-se por nenhum.
Marco Villarta
Lavras, 08 de julho de 2023.



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