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História
Para Neusa Cardoso O que faz ver No outro O indizível do amor ? Atração. Mas o magnetismo não é Somente de ímãs É eletricidade Faísca Fagulha Centelha. Fogo primordial O que me atraiu em ti ? Mais que teu corpo Mais que o espaço Que os meus olhos Esboçaram de ti Foi um tempo que descobri No arrepio que Me fez desvelar Já te conhecer De outros universos De sonhos atávicos De versos não escritos. Não foi o sorriso Que iria saborear Não foi a curva dos seios Que ainda tentaria a

Marco Villarta
3 de jun. de 20221 min de leitura


Labor extinto
Loa, cantiga, louca, antiga Se voo, persigo seus sonhos Se durmo, consigo, sem razão, Desatar o que coração desliga. Magoo as memórias, anteponho Ao presente. Os dias virão ? O que podem, meus pés ? Fazerem, nus ? Afundar no charco, fixar a terra ? Loucura é um marco, talvez ser, Nos desvãos, uma réstia de luz Quem sabe o grito que berra A fera insana de tanto tecer Os fios do labirinto minoico Ariadne a roupa não destece Nua, a verdade entrelaça em teias A complexa trama do

Marco Villarta
3 de jun. de 20221 min de leitura


Parodoxego
Dizem que sou (in)tenso Mas não sei responder Esquizofrenias Manias Arritmias Do corpo Da alma. Não sei se Falta sentido Na fala dos loucos E se eles se entendem É, será, por que Há um saber Para além do sentido ? Se penso, Se sei de minha dúvida Insolúvel Talvez não seja Pelo que sou, sozinho Talvez a alma dos loucos Pungente Sobressaltada Febril Seja espaço de outros E, se insano, Sei que me sinto A (des)razão seja Porque quem me sabe Dentro de meus porões Dos sótãos soturn

Marco Villarta
3 de jun. de 20221 min de leitura


Folgazê
Uni dune tê O Universo me deu você Uni dune tê Meu universo é você Uni dune tê Meu verso é você Marco Villarta Lavras, 17 de janeiro de 2017

Marco Villarta
3 de jun. de 20221 min de leitura


Curiosidade
Encontrei amigo alienígena Me perguntou o que é o doer A resposta não é simples Para quem vem de mundos outros Mas, pensando bem, na pergunta Eu disse que é como fazer passar o ar Pela imensidão do nosso oceano: O que mais pesa na dor Não é o agudo sofrimento Nem mesmo o lamentar É a inexplicável lonjura Da solitária caminhada. Marco Villarta Lavras, 21 de janeiro de 2022.

Marco Villarta
3 de jun. de 20221 min de leitura


Epifania in scherzo
Ouço uma música Vejo o colibri Nas árvores poucas Do meu quintal. O meu ser Distrai-se da morte diária Encanta-se Enternece-se Há tanta lindeza No fortuito do acontecer Seja humano ou alheio À nossa condição. Por um efêmero instante O dedilhar de um violão Me leva a ser Outro que não eu E sei, por breves frêmitos de tempo, O que é ser um duende Uma salamandra Ou um elfo. Uma gota de um orvalho cósmico Refresca minha inevitável solidão Sou um ser imaginário Que sai dos sonhos

Marco Villarta
3 de jun. de 20221 min de leitura


Arqueologia
Uma forma quase humana Chora uma dor inominável Sobre uns ossos de seu clã Não suspeita, no som que grunhe O fazer ritual dos descendentes Milênios, muitos milênios depois Outros cantos, outras danças Fazem o brilho dos olhos de um Serem a certeza de todos Pulsos, ritmos, sons Versões do rito Versões do contar Há rodas, há assembleias Ao redor da fogueira Em ágoras de tantos formatos Aedos Rapsodos Constroem, nos séculos, o seu fazer É teia que nos salva do labirinto Da incon

Marco Villarta
3 de jun. de 20221 min de leitura


Littera
Secreto desígnio Escrever. Letras são túmulos Encontro impossível Porque a face É espelho Reflete o próprio rosto E embaralha o destino do encontro Não sei qual dos outros Lerá a letra Verá no sarcófago O barco de Rá Ou o olhar para a estepe distante Após a caça do dia Não sei quais de mim (re)descubro Nesse silente falar Suspeito que me leiam No adivinhado roçar do cinzel Na pele frágil Em que registro Significantes Cadeias de grafos Desenhos de dimensões Que me desafiam A (

Marco Villarta
3 de jun. de 20221 min de leitura


Biblioteca
Os nós do tecido Podem ser tapetes Ou os fios do viver Sempre são textos Incontáveis autores Leitores anônimos Escribas que erram Acrescentam Omitem E o que provocam Para além do instante Será sempre mistério. Marco Villarta Lavras, 13 de fevereiro de 2017.

Marco Villarta
3 de jun. de 20221 min de leitura


Graças
Valei-me Todas as graças Cárites De todas as virtudes De todos augúrios. No reverso do espelho De outra parte de mim A que me diz quem sou Bendigo As aglaias horas As tálias companhias As inominadas musas Do sorriso Dos êxtases mais simples Entre cada respirar. Se percorre algum canto Do meu ser Mais que o sangue Circulando Rotineiro Alguma substância De felicidade Só posso ser grato Caritoso. Porque plenitude Ainda que ligeira Efêmera É a possível E temporária Condição De se

Marco Villarta
3 de jun. de 20221 min de leitura


Précis
Meu Deus Meu impreciso deus Porque é incorreto dizer meu Sobre a totalidade Deus Não sei se sou criatura Ou emanação Não me sei como ser Como não sei o outro Desconheço se há uma fé das formigas Se os vírus vêm reverenciar a vida Mas gostaria de Na solidão absoluta da existência Voltar-me Dobrar-me sobre o que (não) sou Sobre o que não saberei que(m) sou E expressar a perplexidade De quem, humildemente, Percebe-se fração Provisória forma do pó Antes de retornar a si Não sei s

Marco Villarta
3 de jun. de 20221 min de leitura


Dualismo
olhos (per)seguem seus passos audição titubeante que desconfia os sons de sua respiração corpo forte tornado frágil os braços que apertam mais no desejo que na força dos próprios músculos as pernas que já correram atrás do ônibus em que você ia pra casa cadenciam cada movimento pra chegar mas a alma ainda enxerga escuta os insondáveis acordes você cantarola nos sonhos esquecidos ao despertar anima o corpo insone prolonga as mãos acorda os pés vacilantes caminha cada centímetr

Marco Villarta
3 de jun. de 20221 min de leitura


Céltica
Visto-me de visgo Visito a extensa vista Dentro de olhos outros Porque paisagem não se define No tamanho das coisas. Um cenário é sempre sagrado Porque nunca mais Irá repetir Cada olhar, um universo Cada respiro, ato de criação Pena não sabermos jamais Se do barro que viemos Nossos sonhos geraram, também, Outros perplexos seres Que se (entre)olham. Marco Villarta Lavras/MG, 20 de março de 2018

Marco Villarta
3 de jun. de 20221 min de leitura


Mythos
Aracne teceu Ariadne desfiou De onde vem O fio da vida ? Nem Atená Poderá dizer A arte e a vida São mais que irmãs E a trama de uma É tessitura da outra Texto de que somos letra Voz de que somos som. Cronos, do Tártaro, Ri de nós Nem precisa nos devorar. Frágeis Somos ar Somos água. Somos os olhos Do Minotauro Vendo aproximar-se Teseu. Marco Villarta Lavras/MG, 20 de março de 2018

Marco Villarta
3 de jun. de 20221 min de leitura


Equinócio de Outono
Quando crianças somos seres míticos O amanhã é um ontem no depois Jovens, somos eternos, épicos Quase-deuses, tudo podemos Na substância da utopia Construímos planetas e sistemas Vamos envelhecendo Rosaparafraseando: velhando E o que será o tempo ? Qual tropo o descreverá ? Para o Universo, a matéria do tempo É consequência da matéria que existe O tempo tem um tempo. Até ele... Para nós, na coexistência da palavra Talvez seja uma insígnia: tatuagem Marca em nossa carne A ante

Marco Villarta
3 de jun. de 20221 min de leitura


Sísifo
Difícil do amor Não é juntar corpos Corpos vêm com penduricalhos Memórias Histórias Vontades Difícil na vida Não são os eventos São os entremeios De tempos De ausências De perdas Difícil da poesia É (des)unir Palavras Porque Na fugacidade do existir Cada palavra Já é poesia. Marco Villarta Lavras, 20 de março de 2016.

Marco Villarta
3 de jun. de 20221 min de leitura


Conjectura
Dizem que Para além do que vemos Para além do que vivemos Há muito mais dimensões Feito Spinoza Desconfio do que dizem Ou conhecem por assim Ouvir dizer Mas confesso No meu âmago Remoo Rumino Um (des)pensar sobre o caso E, como num portal de espelho, Imagino em outro universo Um ser Igualmente perplexo Pensar sobre a possibilidade De seres Com tão poucas dimensões Pobres coitados Existirem Para além do que sabe haver Marco Villarta Lavras/MG, 22 de março de 2018

Marco Villarta
3 de jun. de 20221 min de leitura


GAN
Meu éden é semita Caucasiano Negro Ameríndio. As raízes Deito no chão Encontro Seivas Suores Sangues Sombras Sementes. Paracelso Personagem de Borges Já disse: A Queda é Esquecimento... Em que lugar estaremos Senão No Paraíso. Marco Villarta Lavras, 22 de março de 2016.

Marco Villarta
2 de jun. de 20221 min de leitura


Memória
Memória São as histórias De um eu para outro Memória São os corpos (des)encontrados pelo caminho As histórias interrompidas Os lapsos Os erros nunca esquecidos Memória É a ficção Reinventando Os estilhaços da alma Marco Villarta Lavras, 24 de março de 2016.

Marco Villarta
2 de jun. de 20221 min de leitura


Rememoração
Para meu irmão Marcel Villarta Olho para o relógio e, na simplicidade da máquina, vejo dois ponteiros Entendo, então, o tempo a vida são dois ponteiros (no mínimo) que, em seu ciclos, se vão por vezes coincidem Mas são breves os momentos desse andar junto E é isso que dói... Marco Villarta São José dos Campos/SP, 28 de março de 2021

Marco Villarta
2 de jun. de 20221 min de leitura
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