Equinócio de Outono
- Marco Villarta

- 3 de jun. de 2022
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Atualizado: há 1 dia
Quando crianças somos seres míticos O amanhã é um ontem no depois Jovens, somos eternos, épicos Quase-deuses, tudo podemos Na substância da utopia Construímos planetas e sistemas Vamos envelhecendo Rosaparafraseando: velhando E o que será o tempo ? Qual tropo o descreverá ? Para o Universo, a matéria do tempo É consequência da matéria que existe O tempo tem um tempo. Até ele... Para nós, na coexistência da palavra Talvez seja uma insígnia: tatuagem Marca em nossa carne A antevisão da morte As memórias reescritas Por isso seu desenho É garatuja Arabesco sempre refeito Quem sabe por isso o outro nos assuste Quem sabe vejamos nele Não os olhos perplexos Não a boca entreaberta Sedenta de vida Mas os dibujos toscos Do que vamos sendo E que não somos capazes De ver em nós mesmos Sombria dança geométrica De traços e linhas Novelos embaraçados De equívocos De semiprojetos De quaseviveres Somos todos filhos de Heráclito Somos a própria intangibilidade Do rio que flui Da transparência da água Que ironiza a opacidade da vida. Somos o banho do outro Que tenta se purificar Nessas águas A tinta do que somos Nunca resiste E continuamente se esvai Somos desbotada aquarela Impreciso nanquim No papel de arroz De um fictício artista. Como num desenho de Escher A mão que desenha é a mesma Que se vê retratada. Como num texto de Borges Nos sonhamos uns aos outros E é sempre na sombra Que saberemos quem somos.
Marco Villarta Lavras/MG, 20 de março de 2018.



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