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Astrolábio II

a nudez do céu

fez seu semblante

por um instante

ser meu delírio

martírio despertar

nessa solidão

imensa dor

vazio infinito

nos confins do tempo

quisera o amor

não ter tais intervalos

séculos de torpor

milênios de fastio

Como pude suportar

Tantas vezes

A alma rasgada

tirada de mim

Até

num éon qualquer

a você reencontrar

Sem poder lembrar

Sequer que o sofrimento

Também tem pausas

E que a causa do regresso

É ter pregresso

o interminável desse afeto

o inominável desse enlace

que tece, nos muitos versos,

infinito afora

o que aflora

nesse aprender a sermos

ciclicamente

o sublime um.

 

Marco Villarta

Lavras/MG, 09 de novembro de 2022.

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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