Medi(a)ções
- Marco Villarta

- há 22 horas
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Nos labirintos do centro de Buenos Aires me deparei com uma galeria. A maioria das lojas fechadas, como se fosse um depósito de coisas antigas e empoeiradas. Na última delas, havia uma espécie de antiquário, com as paredes repletas de variados relógios. Entrei, curioso. Mário, o dono, saudou-me com a musicalidade de um castelhano portenho, meio italianado. Com meu sôfrego portunhol, tentei responder à amabilidade. Por fim, perguntei pela razão de tantos relógios. Se eles ainda funcionavam. Sorrindo, Mário me contestou que não. Relógios não medem o tempo, apenas a nossa ansiedade. Mas são belos enfeites. No abismo das línguas que tentávamos entender, percebi que o fantástico e o assombroso estavam calmamente ali. Sem tempo, nem pressa. Entendi Borges, Cortázar, Duchamp. Suave marzipã que se dissolve no ar.
Marco Villarta
Lavras/MG, 11 de outubro de 2024.



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