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Fio

Atualizado: há 17 horas


quanta metonímia

no existir

se um rosto se transforma

se mutila

desconhece(-se)

assombra

muitos

desejam pedaços de corpos

no seu próprio tecido

ou na alheia textura

as mãos que enfraquecem

são mais de memórias

que de contatos

a ausência não tem cura

me disse outro dia

um morto antepassado

nós, aqui do outro lado,

também sentimos muitas faltas

são muitos vazios, perenes,

como o deixar de ser

o não estar onde outros

o tempo parece uma reta

a contrariar a Natureza

se todas as formas são curvas

por que a vida se finda?


Marco Villarta

Lavras, 06 de abril de 2016.

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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