Angelus I
- Marco Villarta

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Sonhei ser criança ainda
e estar nas margens de um rio
brincando com as lisas
redondas pedrinhas
No absurdo do sonho
a água é que ficava parada
e as pedras corriam,
a criança diria,
alegres
a criança, no sonho,
espantava-se
de o céu também não se mover
embora o vento ficasse parado
e pairasse, amarelo,
com o reflexo do sol
Crianças talvez saibam de coisas
que os adultos temem lembrar
Não sei o que o significam os sonhos
Nem porque aquele
naquela noite me visitou
Mas sonhos são assim
Existem à parte de nós
São eles que nos criam
e sopram olvidos
para as verdades
que não nos permitem saber.
Marco Villarta
São José dos Campos/SP, 25 de fevereiro de 2020.



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