Dialética
Na selva escura
Havia um portal
Quem me espreitava ?
O leopardo de Dante ?
A onça de Rosa
Talvez os tigres e jaguares de Borges.
Um labirinto pode não ter paredes
E ser a porta que não sabemos para onde
Para quê
Por quê.
Entre os ventos elísios
E a calmaria das águas do Estiges
Há pradarias
Estreitas cavernas
A que reino pertencem os mistérios ?
São plantas, nutridas de luz
Respirando vida na placidez das florestas ?
São pedras, cristais,
Crescendo geométricas na indiferente paciência dos séculos ?
São bichos, feras
Na espreita da caça, hibernando nas frias estações ?
Sou quem sou
Mas a cada momento, estou diverso, de verso
No anverso das certezas
No controverso diálogo com outros
Que atravesso sem pontes
Porque solo não há
Quando o tema é a vida.
Para além da selva escura
Pode haver círculos, esferas
Diáfanas geometrias
Estranhos traçados
Talvez seja espelho
Para nos lembrar da viagem
Que o caminho de agora
Ou a futura jornada
Se fazem das passadas-escolhas
São o que temos
No tempo, seremos sempre crianças
Os traçados dos atos
São garatujas vaidosas
Fingimos saber o que dizemos
Tememos descobrir
Que não sabemos.
Marco Villarta
Lavras/MG, 27 de setembro de 2017




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