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Dialética

1 de ago.
1 min de leitura

 Na selva escura

Havia um portal

Quem me espreitava ?

O leopardo de Dante ?

A onça de Rosa

Talvez os tigres e jaguares de Borges.

Um labirinto pode não ter paredes

E ser a porta que não sabemos para onde

Para quê

Por quê.

Entre os ventos elísios

E a calmaria das águas do Estiges

Há pradarias

Estreitas cavernas

A que reino pertencem os mistérios ?

São plantas, nutridas de luz

Respirando vida na placidez das florestas ?

São pedras, cristais,

Crescendo geométricas na indiferente paciência dos séculos ?

São bichos, feras

Na espreita da caça, hibernando nas frias estações ?

Sou quem sou

Mas a cada momento, estou diverso, de verso

No anverso das certezas

No controverso diálogo com outros

Que atravesso sem pontes

Porque solo não há

Quando o tema é a vida.

Para além da selva escura

Pode haver círculos, esferas

Diáfanas geometrias

Estranhos traçados

Talvez seja espelho

Para nos lembrar da viagem

Que o caminho de agora

Ou a futura jornada

Se fazem das passadas-escolhas

São o que temos

No tempo, seremos sempre crianças

Os traçados dos atos

São garatujas vaidosas

Fingimos saber o que dizemos

Tememos descobrir

Que não sabemos.

 

Marco Villarta

Lavras/MG, 27 de setembro de 2017

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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