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Testamento 3

Envelheço

E a dureza fica amena

Mais por circunstância

Aprendo a arte da espera

Respeito a distância das feras

Ladeio as trilhas das formigas

Cada único lugar

Cada estar

Desconfio do ser

Da estável permanência

Sou efêmera presença

Sombra fugaz que se esvai

Como névoa

Ante o primeiro

raio de sol

Sou apenas

E minhas pequenas marcas

Dos pés no chão

Talvez virem longevos fósseis

Quem sabe seja cadinho

Das águas de chuva

Saciando a sede

De futuros bichinhos

Destino

Não saber dos outros

No antes

No depois

No imediato do aqui

Na face dos espelhos

Na memória do que vi

 

Marco Villarta

Lavras, 31 de janeiro de 2026.

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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